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Lula prioriza negociação Mercosul-União Europeia na Alemanha após críticas de Macron a acordo

Crítica do presidente francês tornou a perspectiva de um entendimento final no curtíssimo prazo mais difícil

Por João Caminoto
Atualização:

BERLIM - As negociações para o fechamento de um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) devem dominar a pauta da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Alemanha, que será iniciada neste domingo, 3, e se estenderá até a terça-feira, 5.

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Após ter sido surpreendido durante a Conferência do Clima da ONU (COP-28), em Dubai, pelas fortes declarações do presidente francês Emmanuel Macron contra os termos negociados no acordo, o governo brasileiro espera encontrar em Berlim um ambiente mais favorável. Nesta semana, será realizada a Cúpula do Mercosul no Rio e o desejo de Lula é que um acordo com a UE seja anunciado durante o evento, que marca o encerramento da presidência rotativa brasileira no bloco sul-americano.

A fala de Macron, que criticou o Mercosul por não querer acatar medidas mais amplas pela defesa ambiental nos termos do acordo, tornou a perspectiva de um entendimento final no curtíssimo prazo mais difícil.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, se encontrou com o presidente da França, Emmanuel Macron, durante a COP 28, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos  Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República

Mal-estar

A resistência francesa a um acordo Mercosul-UE não é novidade para o governo brasileiro, mas o tom adotado por Macron gerou mal-estar. Lula rebateu as críticas qualificando-as como previsíveis diante da postura protecionista da França. Os negociadores brasileiros avaliam que a Alemanha, com uma tradição menos protecionista do que o vizinho francês, pode reverter o mal-estar criado em Dubai.

Na sexta-feira, um porta-voz do governo alemão, questionado por jornalistas sobre as negociações, disse que Berlim tem pressa em fechá-lo. “É notório que apoiamos e lutamos por esse acordo e também queremos que ele seja concluído muito rapidamente”, afirmou.

Durante a visita a Berlim, além de reuniões de trabalho com o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, e o presidente, Frank-Walter Steinmeier, Lula participará nesta segunda-feira, 4, de um evento reunindo representantes de empresas dos dois países. Mais de mil companhias alemãs estão presentes no Brasil

O chanceler da Alemanha, Olad Scholz, cumprimenta o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, em Brasília, Brasil  Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A Alemanha é o principal parceiro brasileiro na Europa. Segundo dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em 2022 o comércio bilateral movimentou US$ 19 bilhões, um aumento de 5% em relação ao ano anterior, mas ainda abaixo dos US$ 21 bilhões registrados em 2013. No ano passado, o Brasil contabilizou um déficit de US$ 6,5 bilhões no comércio bilateral.

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Os dois países também são parceiros em diversas iniciativas relacionadas à defesa do meio ambiente, inclusive no Fundo Amazônia.

Entre os integrantes da comitiva de Lula estão o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. Com a Alemanha, Lula totaliza 15 viagens internacionais neste ano, com visitas a 23 países.

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