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Lula quer atrair líderes de países doadores para participar em agosto de cúpula no Pará

Governo brasileiro avalia convidar líderes de países que podem injetar dinheiro no Fundo Amazônia, como França e Irlanda, além dos que já doaram, para irem como convidados especiais à reunião regional do Tratado de Cooperação Amazônica

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Foto do author Felipe Frazão
Por Felipe Frazão

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja atrair chefes de Estado e de governo de países que podem se converter em doadores de recursos ao Fundo Amazônia, além dos que já contribuem com o mecanismo, para a cúpula amazônica regional que promoverá em agosto, em Belém (PA). O governo trabalha para que eles participem das discussões na condição de convidados especiais. Estão na mira do governo brasileiro países como a França e a Irlanda.

Até o fim do governo Lula, Belém será sede de ao menos duas discussões climáticas multilaterais. No início de agosto, a capital paraense receberá a cúpula de perfil regional, dos países que integram o Tratado de Cooperação Amazônica. Em novembro de 2025, a cidade acolherá a Cúpula do Clima (COP 30) das Nações Unidas, um evento de dimensão global.

França e Irlanda são cortejados a ingressar no Fundo Amazônia, que já possui doação confirmada de Alemanha e Noruega, e compromissos anunciados por Estados Unidos e Reino Unido Foto: Antonio Lacerda/EFE - 4/4/2023

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A primeira cúpula amazônica vem sendo preparada pelo Itamaraty e pelo Palácio do Planalto. O formato da participação desses líderes globais está sendo explorado e apresentado a representantes diplomáticos em Brasília. Um desenho prévio indica que a cúpula amazônica deve contar com líderes políticos de ao menos 10 países - oito signatários do tratado e dois convidados.

O presidente da França, Emmanuel Macron, manifestou ao presidente Lula, durante encontro reservado no G-7, em Hiroshima, Japão, interesse em participar da reunião em Belém. Como o Estadão revelou, desde o ano passado Macron avisou ao governo brasileiro de sua intenção de realizar uma visita de Estado ao País. Ele gostaria de vir no primeiro semestre, mas o encontro foi adiado.

No sábado, dia 3, Macron confirmou nas redes sociais que Lula viajará a Paris, nos dias 22 e 23 de junho, para participar de um encontro do Novo Pacto Financeiro Global. Essa agenda vai tratar, entre outros assuntos, do financiamento das ações climáticas. O presidente francês publicou no domingo, dia 4, uma foto de conversa com o cacique brasileiro Raoni Metuktire, da etnia caiapó. Macron disse que dá a devida atenção aos apelos do cacique sobre a necessidade de proteção da floresta e das povos indígenas. “Estamos atentos ao que nos diz o cacique Raoni, há 18 dias da Cúpula de Paris para o novo pacto financeiro global que o mundo precisa”, afirmou Macron.

Diplomatas franceses cientes das negociações em curso afirmam que a vinda Macron a Belém seria, no atual contexto, um gesto de reciprocidade a Lula. Para eles, deve haver oportunidade para encontros bilaterais, seja na França ou no Brasil.

No caso da Irlanda, Lula conversou em privado com o presidente Michael Higgins durante a coroação do rei Charles II, em maio, no Reino Unido.

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Embaixadores dos países que já participam do fundo e dos cortejados já estão cientes do desejo de Lula, mas afirmam que ainda não receberam convite formal. Em alguns casos, a chancelaria brasileira já compartilhou o “save the date”, um aviso para que os dias sejam “reservados” ao encontro.

Além da data das atividades, de 7 a 9 de agosto, eles foram informados de detalhes dos eventos em Belém, como reuniões com organizações não-governamentais e movimentos sociais, a cargo da Secretaria-Geral da Presidência, e painel da comunidade científica, cuja programação inclui o cientista Carlos Nobre, ícone das discussões sobre mudanças climáticas.

Lula tem cobrado, de forma cada vez mais eloquente, a promessa nunca cumprida dos países desenvolvidos de injetar U$ 100 bilhões em ações contra mudança climática. A impressão de diplomatas é que o Brasil pode transformar a reunião de Belém em uma cúpula para captar dinheiro para o Fundo Amazônia. Só que os demais países não participam do mecanismo, exclusivo do Brasil.

A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) tem sede em Brasília e vai se reunir alto nível pela primeira vez, depois de muitos anos desprestigiada. Dos nove países amazônicos, oito fazem parte do órgão: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. A única exceção é justamente a Guiana Francesa.

Em 2019, os países do tratado assinaram o Pacto de Letícia, por iniciativa da Colômbia, a passaram a se reunir periodicamente, à exceção da Venezuela, por divergências políticas com o regime de Nicolás Maduro.

Novos doadores: EUA e Reino Unido

Por enquanto, os países efetivamente doadores do Fundo Amazônia são a Noruega e a Alemanha. O total de recursos ingressados é de U$ 1,3 bilhão, incluída verba da Petrobras.

Os Estados Unidos e o Reino Unido anunciaram neste ano um aporte inicial de 500 milhões de dólares e 80 milhões de libras esterlinas, respectivamente.

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Nos primeiros cinco meses de mandato, Lula realizou viagens em Washington e Londres. O presidente Joe Biden aceitou um convite de Lula para retribuir a visita, mas a data de seu desembarque no Brasil segue em aberto, segundo diplomatas dos dois lados.

Lula também fez convites no Reino Unido. Segundo o ex-chanceler Antonio Patriota, que assumirá as funções de embaixador em Londres, os britânicos indicaram ao Itamaraty o interesse de que o rei Charles III e o primeiro-ministro Rishi Sunak viajem ao Brasil ainda em 2023. Há 14 anos, nenhum líder político britânico visita o Brasil.

Como príncipe de Gales, Charles já esteve quatro vezes no solo nacional - e sempre dedicou parte de sua agenda à Amazônia. Lula disse que o rei lhe pediu que cuidasse da floresta, durante conversa antes da coroação.

A França e União Europeia estudam fazer contribuições individuais ao Fundo Amazônia, afirmou em fevereiro a chanceler francesa Catherine Colonna. Diante dos convites brasileiros, Países Baixos e Dinamarca examinam o funcionamento do mecanismo para eventual contribuição futura ao combate ao desmatamento.