Oposição em Israel apresenta projeto para dissolver Parlamento e convocar novas eleições

Partidos que se opõem ao primeiro-ministro Binyamin Netanyahu tentam aproveitar fratura na coalizão entre siglas ultraortodoxas e passar medida que pode derrubar o governo

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Por Redação
Atualização:

Os partidos da oposição ao primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, apresentarão uma moção para dissolver o Parlamento israelense nesta quarta-feira, 11. Este é o maior desafio político para a coalizão extremista de Netanyahu desde a volta do primeiro-ministro ao poder em dezembro de 2022.

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Se a moção for aprovada, é improvável que o governo caia imediatamente. O processo parlamentar antes de qualquer voto final pode levar meses, dando ao primeiro-ministro tempo para fortalecer sua coalizão governamental.

O voto de confiança será realizado por conta de uma crise dentro da coalizão de Netanyahu sobre a isenção de homens ultraortodoxos do serviço militar obrigatório. Os partidos ultraortodoxos Judaísmo Unido da Torá e Shas têm divergido com membros do gabinete sobre propostas para limitar isenções.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, participa de um evento em Jerusalém  Foto: Abir Sultan/AP

Os estudantes de seminários judeus ultraortodoxos estão isentos do serviço militar obrigatório desde a fundação de Israel, há mais de sete décadas. A Suprema Corte considerou isso inconstitucional, e a grande maioria da sociedade israelense apoia o recrutamento obrigatório para ultraortodoxos, também conhecidos como haredis, segundo as pesquisas de opinião. Ela apoia também sanções a desertores. O serviço militar é obrigatório a todos os demais cidadãos.

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Divergências

A situação fez com que a oposição agisse para tentar derrubar o governo. O partido Judaísmo Unido da Torá ameaçou votar com as legendas opositoras, dizendo que não pode aceitar o recrutamento de ultraortodoxos que estão estudando Torá.

Se o Shas também votar com a oposição, a oposição teria a maioria necessária para dissolver o Parlamento. A coalizão de Netanyahu tem 68 assentos de 120 na Knesset, o Parlamento israelense.

Polícia israelense tenta dispersar um protesto de ultraortodoxos contra a exigência de que eles realizem o serviço militar obrigatório, em Jerusalém  Foto: Leo Correa/AP

Caso a moção seja aprovada, o projeto precisaria ir a um comitê parlamentar para revisão antes de retornar à assembleia para mais votações e Netanyahu e seus aliados políticos poderiam atrasar esse processo por meses.

Mas analistas dizem que até mesmo a aprovação preliminar para dissolver o Parlamento poderia desestabilizar ainda mais o governo Netanyahu.

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Caso a moção da oposição seja reprovada, as legendas oposicionistas teriam que esperar seis meses para apresentar um novo voto de confiança. Caso Netanyahu fique no cargo até o final de seu mandato, o pleito israelense ocorreria em outubro de 2026.

Segundo o site israelense Ynet, o Shas está pressionando o Judaísmo Unido da Torá a retirar o apoio às medidas de dissolução por mais uma semana para dar mais tempo a Netanyahu para negociar um acordo

Mas o parlamentar do Judaísmo Unido da Torá, Moshe Roth, disse ao portal Times Of Israel que seu partido está pronto para prosseguir com o voto para dissolver o Parlamento./com NYT