Ao menos 1 morre em confrontos em protesto no Irã

Homens armados abrem fogo contra partidários de Mousavi que faziam manifestação em Teerã

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Atualização:

  Homem ferido é socorrido por manifestantes durante protesto da oposição em Teerã. Foto: AP

 

 

TEERÃ - A televisão estatal iraniana informou que houve disparos de tiros durante um grande protesto nesta segunda-feira, 15, em apoio ao candidato derrotado à presidência Mir Hussein Mousavi em Teerã. Testemunhas afirmam que uma pessoa morreu e várias foram feridas em estado grave.

 

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Nesta segunda-feira, milhares de pessoas saíram às ruas de Teerã para protestar contra a vitória de Ahmadinejad, desafiando uma proibição do Ministério do Interior. Mousavi esteve no protesto, em sua primeira aparição pública desde o resultado eleitoral. Apesar da proibição, as forças de segurança não tomaram nenhuma atitude contra os manifestantes. Enquanto caminhavam pelas ruas de Teerã com cartazes com os dizeres "onde está o meu voto?" e gritando "morte ao ditador", em referência a Ahmadinejad, os opositores encontraram dezenas de simpatizantes do governo. 

 

A morte do manifestante ocorreu em frente a uma base local da milícia voluntária Basij, que estava em chamas. Um fotógrafo, que não quis revelar sua identidade, disse que o homem morreu com um tiro na cabeça. Um correspondente da France Presse testemunhou confrontos entre policiais e os manifestantes, que fugiam das agressões. Segundo ele, foram ouvidos tiros e uma fumaça branca subiu do céu sobre a Praça Azadi, principal foco das manifestações. A polícia lançou gás lacrimogêneo nos manifestantes.

 

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"Está ocorrendo um tiroteio lá fora... eu posso ver as pessoas fugindo", disse um jornalista da TV iraniana de língua inglesa ao vivo da praça Azadi, em Teerã. "Algumas pessoas que estão armadas, eu não sei exatamente quem elas são, mas começaram a atirar nas pessoas causando um massacre na praça Azadi", ele disse. Há relatos sobre protestos em outras cidades. Porém como os jornalistas estão em sua maioria impedidos de trabalhar fora de Teerã, é difícil haver uma confirmação independente sobre essas versões.

 

Sereno, com o rosto cansado pelos últimos dias de tensão, Mousavi reapareceu no comício pela primeira vez depois da eleição e pediu calma à população. "Estamos preparados para participar de novas eleições presidenciais. O voto do povo é muito mais importante do que a pessoa de Mousavi ou qualquer outro", afirmou o opositor num megafone. A mobilização impõe um importante desafio ao governo de Ahmadinejad e provoca dúvidas sobre a legitimidade de sua surpreendente vitória nas urnas.

 

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ordenou a abertura de uma investigação das denúncias de fraude, informou nesta segunda-feira a televisão estatal da república islâmica. Mousavi apresentou uma queixa formal perante o Conselho dos Guardiães na qual requisitou a anulação do resultado das eleições presidenciais da última sexta-feira porque teria havido compra de votos. Khamenei também recomendou ao candidato derrotado que busque solucionar o assunto com calma e dentro dos parâmetros legais vigentes, prosseguiu a emissora estatal.

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