Primeiro carregamento de armas químicas deixa a Síria

Rebeldes estão cada vez mais divididos e lutam entre si; confrontos entre rivais islâmicos matam 274 pessoas em 4 dias

PUBLICIDADE

Atualização:

A chefe da missão da Organização para Proibição de Armas Químicas (Opaq), a holandesa Sigrid Kaag, disse que o primeiro carregamento do arsenal químico da Síria deixou nesta quarta-feira, 7, o porto de Latakia em direção à Itália, onde será carregado em um navio da Marinha dos EUA e levado para águas internacionais para destruição em um tanque especialmente criado a bordo.

O anúncio é um passo crucial na operação internacional para desmantelar o arsenal de Bashar Assad este ano. A primeira tentativa de retirar as armas foi abortada depois que autoridades sírias deixaram de entregar os agentes tóxicos no ponto de coleta em Latakia.A Síria concordou em abrir mão de suas armas químicas após um acordo mediado pela Rússia e depois de um ataque com gás letal que matou mais de 1,4 mil pessoas em agosto de 2013, nos subúrbios de Damasco. O Ocidente culpou as forças do governo sírio, mas Assad acusou os rebeldes pela ação.Enquanto a Opaq tenta desmantelar o arsenal de Assad, a guerra civil na Síria, que já dura quase três anos, se intensifica, desta vez com pesados combates entre os rebeldes, que se dividiram em duas facções: os jihadistas ligados à Al-Qaeda e grupos islâmicos anti-Assad.Nos últimos quatro dias, pelo menos 274 pessoas morreram em choques entre o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, na sigla em inglês), grupo com vínculos com a Al-Qaeda, e rebeldes de outras facções que lutam contra Assad. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, organização de oposição com sede em Londres, as províncias mais afetadas foram Idlib, Raqqa, Alepo e Hama. Entre os mortos, há 46 civis, 129 insurgentes islâmicos e 99 jihadistas – até bem pouco tempo, ambos os lados lutavam contra Assad. O líder da Frente Al-Nusra, Abu Mohamed al-Yulani, propôs ontem um plano para acabar com os confrontos, que inclui um cessar-fogo e a troca de prisioneiros.O porta-voz do Exército Sírio Livre Sírio (ESL), o coronel Qasem Saadedin, afirmou que os confrontos recentes fazem parte de uma ofensiva de sua organização e da Frente Islâmica – a maior aliança de grupos rebeldes islamistas – contra o ISIL, que teria “ultrapassado todos os limites”.Saadedin acusou os jihadistas de terem sequestrado e matado sírios e explicou que a operação não é contra a Al-Nusra, também leal à Al-Qaeda, que, para ele, até agora, não cometeu violações contra o povo. Ontem, de acordo com o OSDH, combatentes jihadistas do ISIL e da Al-Nusra tomaram de milicianos curdos o controle de regiões de Tal Barak e de Tall Hamis, no norte da Síria.