Os motivos e os impactos da imigração, especialmente de Minas Gerais, para os EUA
Por que tantos brasileiros deportados dos EUA são de Governador Valadares? O que faz dessa região o 'triângulo da imigração' ilegal? O Estadão esteve lá e explica em uma série especial de 4 reportagens em vídeo: Um Trump no meio do caminho, a partir de terça, 06/05 .
Gerando resumo
ENVIADA ESPECIAL A GOVERNADOR VALADARES, ALPERCATA, CAPITÃO ANDRADE E IPATINGA - Há pouco mais de 100 dias, Donald Trump retornou à Casa Branca com a promessa de promover uma deportação em massa de “aliens”, como ele tem se referido aos imigrantes. Desde então, mais de 700 brasileiros foram deportados dos Estados Unidos, segundo dados pouco claros da Polícia Federal.
Neste período, as expulsões de imigrantes nos EUA não foram “em massa”, se aproximando de 100 mil deportações até o momento, número semelhante ao da administração Joe Biden. No entanto, elas têm sido conduzidas de maneiras pouco ortodoxas: uso de avião militares, envio de pessoas para terceiros países e expulsões equivocadas.
Episódios
A política lá tem agitado os nervos em cidades do leste de Minas Gerais, onde a emigração de brasileiros para os Estados Unidos é uma tradição histórica. O Estadão esteve em Governador Valadares e outras cidades do vale do Rio Doce para retratar os impactos da medida trumpista.
A série Um Trump no meio do caminho: cerco migratório ameaça sonho americano dos moradores de Minas Gerais conta, em quatro vídeos e seis reportagens, como Valadares se tornou um epicentro de “exportação” de migrantes para os EUA, os impactos econômicos, culturais e demográficos dessa migração e qual o futuro do “sonho americano” no Estado.

Como Governador Valadares se tornou o epicentro da emigração de brasileiros para os EUA?
Como uma cidade de 257 mil habitantes no leste de Minas Gerais, encravada no vale do Rio Doce, se tornou o epicentro da emigração de brasileiros para os Estados Unidos?
A reportagem do Estadão esteve em Governador Valadares e outras cidades da região que se tornou o “triângulo da emigração” brasileira para entender o que leva milhares de pessoas a querer viver o “sonho americano” mesmo com tantas barreiras.
No player é possível ver o primeiro episódio da série Um Trump no meio do caminho: cerco migratório ameaça sonho americano dos moradores de Minas Gerais, que explica como Governador Valadares se tornou o epicentro da emigração de brasileiros para os Estados Unidos.
A febre migratória é tamanha que a cidade ganhou um apelido ingrato: Governador Valadólares, por causa do grande número de moradores que foram para os EUA.
Não à toa, o ponto turístico mais conhecido do município - depois do pico da Ibituruna onde as pessoas saltam de paraquedas - é a Praça do Emigrante, onde um monumento de um homem com uma mochila nas costas parece deixar a cidade.
Como Governador Valadares se tornou o epicentro da emigração de brasileiros para os EUA?
Surgimento da cultura emigratória passa por uma estrada de ferro, a exportação de minérios para armamentos e a 2º Guerra Mundial.
Um pedaço dos EUA no interior de Minas
Em novembro de 2024, Donald Trump e Kamala Harris lutavam para conquistar os valiosos votos dos delegados estaduais nas eleições dos Estados Unidos. Embora não seja um Estado americano e, portanto, não tenha delegados, Governador Valadares entrou em campanha com direito a briga de outdoors.
Um cartaz de apoio ao republicano apareceu no centro da cidade, com texto em português e em inglês, no qual dizia que Trump teria de vencer Kamala e “a fraude eleitoral”. Não demorou muito para a resposta chegar. Um outdoor em apoio à democrata surgiu com os dizeres “sou esquerdista, sou liberal”.
A briga de outdoors, embora pareça apenas uma curiosidade, é o exemplo perfeito da influência americana na cidade. Da construção das casas, aos enfeites de estantes e lojas temáticas, até o uso do dólar como uma espécie de “moeda paralela” em transações entre os moradores da cidade.
No player, você pode assistir essa história em todos os seus detalhes no segundo episódio da série Um Trump no meio do caminho: cerco migratório ameaça sonho americano dos moradores de Minas Gerais mostra como os mais de 60 anos de emigração para os Estados Unidos transformaram a economia, a cultura e a demografia de Governador Valadares.
Um pedaço dos EUA no interior de Minas Gerais
Como os mais de 60 anos de emigração transformaram a economia, a cultura e a demografia na região de Governador Valadares.
A migração ilegal como um negócio
O terceiro episódio da série Um Trump no meio do caminho: cerco migratório ameaça sonho americano dos moradores de Minas Gerais retrata quem são os mineiros que emigram para os Estados Unidos e como as redes de tráfico de pessoas lucram com o recrudescimento das políticas migratórias.
Com a consolidação do sonho americano em Governador Valadares, cada vez mais mineiros começaram a migrar. No começo iam trabalhadores formados e de melhor renda, mas a derrocada econômica do Brasil nos anos 1980 impulsionou a ida de classes mais baixas com o objetivo de “fazer dinheiro na América”.
Neste episódio, os relatos de quatro emigrantes: um casal que migrou nos anos 1990 e fez fortuna suficiente para comprar terras e cabeça de gado; um pintor que, entre idas e vindas, viveu 12 anos no país do Norte e juntou dinheiro para comprar sua casa própria; um mecânico industrial que ficou quatro anos com a família nos EUA antes de ser deportado no primeiro voo da segunda era Trump; e um motorista que foi deportado ainda na era Biden e não conseguiu fazer fortuna.
A migração ilegal como negócio em Governador Valadares
Quem são os mineiros que emigram para os EUA e como as redes de tráfico de pessoas lucram com o recrudescimento das políticas migratórias.
É o fim do sonho americano?
O quarto e último episódio da série Um Trump no meio do caminho: cerco migratório ameaça sonho americano dos moradores de Minas Gerais trata da política de deportação em massa de Donald Trump e como apenas agora o Brasil passou a pensar em políticas de acolhimento a deportados.
Em mais de 60 anos de emigração sustentada, nunca houve uma política nacional, estadual ou municipal voltada aos que retornam de uma emigração frustrada. Governador Valadares sendo o epicentro desse êxodo, até tentou impulsionar algumas políticas no passado, mas elas nunca foram para frente. Até que um avião com brasileiros deportados pousou em Manaus.
Em 24 de janeiro, chegou o primeiro avião trazendo brasileiros deportados dos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump. O voo foi um marco, primeiro por ocorrer em meio às promessas de Trump de deportação em massa, segundo por ter sido o estopim para que o Brasil finalmente pensasse em uma política de acolhimento a deportados.
Segundo a Polícia Federal, só em 2025, mais de 700 brasileiros foram deportados dos EUA. Desde 2019, quando os voos com repatriados foram retomados, mais de 11 mil brasileiros retornaram. Os números, porém, não são claros. Dados da PF divergem dos números da migração americana, que divergem das informações dos aeroportos de chegada.
Os especialistas, contudo, são céticos que isso signifique o fim do sonho americano. Não o foi quando a pandemia de covid-19 diminuiu a circulação entre fronteiras, não o foi com a cerca no México e não o foi quando o mesmo Trump prometeu construir um muro na fronteira em 2016. A tendência agora é as rotas se redesenharem e o tráfico humano se tornar ainda mais lucrativo.
É o fim do sonho americano?
Donald Trump volta aos EUA com uma promessa: deportar milhões de imigrantes dos EUA.








