Trump e Netanyahu se reúnem hoje na Casa Branca; saiba o que está em jogo

Entenda o que será discutido na terceira reunião entre os líderes de Israel e Estados Unidos desde que Trump voltou ao cargo

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Por Aaron Boxerman (The New York Times)

Chefe da Otan chama Trump de ‘papai’ que lidou com ‘crianças brigando’ em guerra entre Israel e Irã

Secretário-geral da Otan arquitetou a cúpula ao redor de Trump e elogiou muito o presidente americano durante o evento. Crédito: Agency Pool/AFP

O primeiro-ministro, de Israel, Binyamin Netanyahu, se reunirá o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, nesta segunda-feira, 7. Durante o encontro, devem ser debatidas as crises em Gaza, no Irã e outras questões críticas no Oriente Médio.

Trump quer garantir um acordo de cessar-fogo em Gaza para acabar com os combates entre Israel e o Hamas. Porém, Netanyahu e o Hamas têm colocado obstáculos para que isso ocorra.

O grupo terrorista quer garantias sólidas de que as negociações levarão ao fim definitivo da guerra, enquanto Netanyahu prometeu continuar lutando até que o Hamas seja destruído.

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Benjamin Netanyahu e Donald Trump reuniram-se no salão oval da Casa Branca em 7 de abril; nesta segunda-feira, 7 de julho, líderes voltam a se encontrar Foto: Eric Lee/NYT

Netanyahu, após os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã em junho, tem que lidar com o desejo de Trump de buscar um acordo diplomático com o Irã sobre seu programa nuclear — uma questão que ele há muito vê com desconfiança.

Saiba o que está em jogo na próxima reunião entre os dois líderes, a terceira desde que Trump voltou ao cargo.

O futuro da guerra em Gaza

Muitos em Israel e Gaza esperam que a reunião de Netanyahu com Trump abra caminho para uma nova trégua no conflito. Espera-se que, desta vez, o acordo de paz ponha fim aos 21 meses de guerra e liberte os reféns restantes em troca de prisioneiros palestinos.

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Israel e o Hamas já concordaram anteriormente com dois cessar-fogo de curta duração. O último, que Israel encerrou em meados de março, resultou na libertação de mais de 1.500 prisioneiros palestinos em troca de 30 reféns, além dos corpos de outros oito.

Trump disse que Israel e o Hamas poderiam chegar a um novo acordo ainda esta semana, mas as tentativas anteriores de negociar um cessar-fogo definitivo fracassaram. A última proposta em discussão estipula uma trégua de 60 dias durante a qual ambos os lados negociariam o fim da guerra.

Tanto Israel quanto o Hamas podem agora ter motivos para concordar com uma trégua temporária. Enquanto o avião de Netanyahu se dirigia para Washington, os negociadores israelenses viajavam para o Catar para conversas indiretas com o Hamas sobre os detalhes do acordo.

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Netanyahu está animado pelos ataques ao Irã, que os israelenses consideraram bem-sucedidos. Dessa forma, o primeiro-ministro de Israel pode ter uma flexibilidade maior para fazer concessões difíceis no tocante a Gaza. Por outro lado, o Hamas não quer rejeitar uma trégua a qualquer custo e passar a ser considerado culpado pelos habitantes de Gaza, que têm suportado, há quase dois anos ataques mortais e fome.

Mais de 57.000 pessoas foram mortas em Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, que não faz distinção entre civis e combatentes. A guerra começou com o ataque terrorista do Hamas a Israel em outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas e fez 251 reféns. Cerca de 50 reféns permanecem em Gaza, cerca de 20 deles vivos, de acordo com as autoridades Israelenses.

Mas garantir o fim permanente da guerra será muito mais desafiador. Netanyahu prometeu não encerrar a guerra antes da destruição do Hamas. O grupo terrorista se recusou a libertar todos os reféns que mantinha, impondo como condição que Israel retirasse suas forças e concordasse em deixá-los no controle de Gaza.

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Esperanças de Netanyahu para um acordo regional

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Uma grande questão é se Trump será capaz de usar incentivos e punições para garantir tanto a trégua de 60 dias quanto o cessar-fogo permanente.

Autoridades americanas esperam tornar o acordo mais atraente para Netanyahu, vinculando o fim da guerra em Gaza a uma possível reorganização diplomática no Oriente Médio, que acabaria por levar os países árabes a formalizar laços com Israel.

Tal vitória diplomática para Netanyahu poderia ajudar o primeiro-ministro a “vender” a proposta de cessar-fogo para a sua população e seus aliados políticos. Os parceiros à direita da coalizão de Netanyahu rejeitam firmemente qualquer trégua que deixe o Hamas no poder. O primeiro-ministro também fez da normalização das relações de Israel com seus vizinhos outrora hostis — principalmente a Arábia Saudita — uma ambição fundamental.

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Mas os sauditas, assim como outros países árabes, provavelmente não concordarão em normalizar as relações com Israel, a menos que haja um fim para a guerra em Gaza. Riade também exigiu um preço alto de Washington, incluindo um programa nuclear civil e um pacto de defesa, antes de concordar em normalizar as relações.

Em paralelo, Síria e Israel estão envolvidos em negociações “significativas”, mediadas pelos Estados Unidos, para o apaziguamento das tensões ao longo da fronteira entre os dois países.

Negociações com o Irã

Netanyahu e Trump também discutirão os esforços americanos para elaborar um novo acordo com o Irã sobre o programa nuclear do país, após os ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel no mês passado.

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“Estamos trabalhando em muitas coisas com Israel, e uma delas é provavelmente um acordo permanente com o Irã. Eles têm que abrir mão de todas as coisas que vocês conhecem tão bem”, disse Trump a repórteres neste domingo.

Enquanto Trump considera um novo acordo nuclear com o Irã, Netanyahu há muito tempo vê qualquer negociação com Teerã com enorme desconfiança. Ele era contra o acordo anterior liderado pelos Estados Unidos com o Irã, do qual Trump se retirou em 2018.

Antes de Israel começar a atacar o Irã em 13 de junho, o governo Trump havia realizado repetidas rodadas de negociações com autoridades iranianas sobre o futuro de seu programa nuclear. No conflito que se seguiu, os americanos se juntaram a Israel e bombardearam três instalações nucleares iranianas.

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Houve avaliações contraditórias sobre as conquistas desse ataque. Enquanto o Pentágono disse que o Irã sofreu um retrocesso de um a dois anos em seu programa nuclear, outros, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), o órgão de fiscalização nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU), disseram que o Irã poderia começar a enriquecer urânio novamente em questão de meses.

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