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Amazon desiste de construir segunda sede dos EUA em Nova York

Varejista estudava abrir um novo campus e abrir 700 novas vagas de emprego na cidade, mas desistiu do plano nesta quinta-feira

Por Agências
Atualização:
Nova sede da Amazon seria semelhante ao prédio de Seattle Foto: Lindsey Wasson/Reuters

A Amazon desistiu de construir a sua segunda sede em Nova York, depois de forte oposição de políticos e da população local. O anúncio foi feito pela varejista nesta quinta-feira, 14, e é mais um episódio na longa jornada da empresa fundada por Jeff Bezos para escolher um local para construir sua segunda sede – a primeira é em Seattle. 

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Pessoas próximas à empresa disseram a agência de notícias Reuters que Amazon decidiu excluir Nova York da lista depois de passar por negociações intensas na última quarta-feira, 13. A empresa esperava criar 700 novas vagas na cidade até o fim do ano, mas agora disse que vai distribuir esses novos cargos para as operações nos Estados do Tennenssee e da Virgínia – este último, vizinho à capital americana Washington D.C., foi escolhido junto a Nova York para receber a segunda sede da empresa, em um processo que começou no final de 2017 e envolveu mais de 200 candidaturas. 

Resistência. A desistência da varejista se deu após semanas de oposição declarada de políticos locais que não aceitaram a ideia do governo e da prefeitura de Nova York oferecerem US$ 2,8 bilhões em incentivos à Amazon em troca da nova sede.

Alguns moradores da vizinhança de Long Island City, a leste da ilha de Manhattan, na qual o prédio da empresa seria supostamente erguido, também se opuseram ao plano. Residentes de longa data temiam ser forçados a sair de suas casas devido a especulação imobiliária que pode surgir no local. Além disso, eles alegam que os sistemas de esgoto e metrô do local já estão sobrecarregados, antes mesmo da chegada da Amazon. 

Chelsea Connor, diretora do sindicato mais poderoso da cidade, o de trabalhadores de lojas de varejo e departamentos, disse que a desistância abrupta confirma suas críticas ao projeto. "Ao invés de abordar as preocupações legítimas que foram levantadas por muitos nova-iorquinos, a Amazon impõe suas condições, sem sequer considerar as preocupações dos locais. Não é o que uma empresa responsável faria", disse a ativista, em um comunicado. 

A desistência da Amazon também provocou reações entre políticos americanos. O prefeito da cidade de Nova York, Bill de Blasio, disse que a empresa "jogou fora a chance de fazer negócios na principal cidade do mundo". "Você tem que ser duro para conseguir conquistar algo por aqui", comentou de Blasio.

Já a senadora Elizabeth Warren, que já anunciou sua candidatura à presidência em 2020, criticou a empresa. "Uma das maiores empresas do mundo desistiu de um negócio por conta da ausência de subornos dados pelo contribuinte", declarou. O governador Andrew Cuomo, por sua vez, culpou os políticos locais – em especial, o Senado estadual, espécie de órgão equivalente às assembleias legislativas brasileiras – por espantarem um negócio que beneficiaria não só Long Island City, mas todo o Estado. 

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Nova escolha. A Amazon disse ainda que não vai reabrir um novo “processo seletivo” para encontrar um local para a segunda sede. “Continuaremos a contratar e crescer em nossos 17 escritórios corporativos e centros de tecnologia nos Estados Unidos e no Canadá", declarou a empresa, por meio de nota. 

As cidades de Chicago, Miami e Newark, nos subúrbios de Nova York, já expressaram interesse anteriormente de se tornar a sede do projeto da Amazon, visando os 25 mil empregos que a empresa garante gerar em poucos meses. Já Nashville, no Tennessee, que tem um centro com 5 mil pessoas, também disse que está aberta a assumir um papel maior para a empresa.

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