Fintech de brasileiros levanta US$ 50 milhões de fundadores do PayPal

A Brex oferece serviços de cartão de crédito para empresas nos Estados Unidos e já levantou mais de US$ 67 milhões em investimentos

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Por Mariana Lima
Atualização:

Conseguir um cartão de crédito corporativo não é tarefa fácil para as startups. Os brasileiros Henrique Dubugras e Pedro Franceschi sofreram isso na pele enquanto tentavam organizar as contas da startup que pretendiam lançar. Foi quando a ideia bateu e decidiram que criar uma empresa para atender o mercado de startups era uma melhor opção. Assim surgiu a Brex, uma fintech que faturou US$ 50 milhões em investimentos esta semana.

Pedro Franceschi e Henrique Dubugras são os fundadores da Brex Foto: Brex

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A startup surgiu em março de 2017 e já conta com mil clientes nos Estados Unidos. Em pouco mais de um ano de operação, a empresa já levantou mais de US$ 67 milhões em duas rodadas lideradas por fundos como a aceleradora Y Combinator e por investidores como Peter Thiel e Max Levchin, fundadores do PayPal.

O modelo de fintech de cartão de crédito não é novo no mundo das startups. Para facilitar a explicação, Dubugras explica que a Brex é “uma Nubank para empresas”.

A ideia, no entanto, surgiu depois que os dois amigos passaram um semestre estudando em Stanford. A escolha por fintech foi fácil. Os dois já haviam criado, aos 17 anos, a startup de pagamentos online Pagar.me, vendida em 2016 para a Stone.

“A Pagar.me nos tornou conhecidos para os investidores dos Estados Unidos, o que fez com que o mercado sentisse mais confiança em apostar na gente”, explica Dubugras ao dizer que optaram por abrir mão do curso em Standford.

Funções. Entre as vantagens oferecidas pela Brex está a agilidade. A fintech promete um cartão de crédito digital após cinco minutos de cadastro e uma versão física em até cinco dias.

Outro diferencial oferecido é a possibilidade de ter um cartão de crédito corporativo sem que os empreendedores sejam obrigados a dar como garantia ganhos e bens pessoais, algo comumente obrigatório nos bancos americanos. Também parece ser mais vantajoso que um cartão de pessoa física, porque oferecem crédito até 10 vezes maior.

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A forma de avaliar crédito também é diferente. Para ter acesso ao serviço, a Brex estuda quem são os investidores da startup, ao invés de estudar o fluxo e o faturamento da empresa.

O modelo agrada especialistas. Felipe Matos, empreendedor e autor do livro 10 Mil Startups, diz que a fintech traz inovações importante até mesmo para o mercado americano, conhecido por ser um dos mais evoluídos do setor.

“A empresa interessada precisa dar acesso ao saldo bancário de sua conta à Brex. Assim, até mesmo empresas novas e sem histórico, mas que tenham recebido investimentos, poderão ter cartões com bons limites. É um processo rápido que bancos tradicionais levam semanas”, diz.

Apesar das vantagens, ainda não há previsão que a startup chegue ao Brasil. “O mercado de startups aqui nos Estados Unidos é enorme, então vamos focar aqui por enquanto. Mas quando formos expandir com certeza o Brasil será um dos primeiros países”, confirma Dubugras.

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