iFood começa a fazer entregas de supermercado

Empresa iniciou testes na semana em Campinas e Osasco, com rede de supermercados parceiros; previsão é chegar a São Paulo em algumas semanas

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Por Bruno Capelas
Atualização:

O aplicativo de entregas de comida iFood começou a testar nesta quarta-feira, 18, um novo tipo de serviço: pedidos de compras de supermercado. Conhecida pelo serviço de delivery de refeições, a startup iniciou as novas operações nas cidades paulistas de Campinas e Osasco. Segundo Diego Barreto, diretor financeiro da empresa, o plano é chegar à cidade de São Paulo “em algumas semanas”. “Monitoramos os hábitos de consumo de comida dos brasileiros há tempos e percebemos uma alta na demanda por pedidos desse estilo”, conta Barreto ao Estado

Ao contrário do que fazem aplicativos que já operam no mesmo setor, o iFood não terá um supermercado como parceiro fixo na nova empreitada. “Como empresa que tem presença nacional, precisamos de parcerias agnósticas”, explica o executivo. Os primeiros mercados a participar do programa são o Castanha Supermercado, em Osasco, e as redes Taquaral e Guará, no interior paulista, em um acordo feito com a plataforma de compras online SiteMercado.

iFood começa a testar entregas de supermercados Foto: iFood

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Por enquanto, os clientes poderão pedir itens gerais, congelados, hortaliças, carnes, bebidas, itens de higiene e produtos de limpeza. Será possível pagar pela internet ou no momento da entrega, de forma semelhante ao que já acontece com a entrega de refeições. Segundo o iFood, os testes iniciais não terão taxa de entrega, mas só será possível pedir oito itens por compra e o valor mínimo deverá ser de R$ 15. Mais do que isso, no entanto, a meta da empresa por agora é conhecer a demanda dos usuários. “Será que os brasileiros ainda fazem duas compras por mês, com alto volume? É algo que queremos descobrir”, diz Barreto. 

Entregadores farão pedidos de refeições e de produtos

A meta da empresa é conseguir ter ao menos um estabelecimento parceiro no raio de 4 ou 5 quilômetros do usuário, a fim de conseguir realizar os pedidos de forma cada vez mais rápida. Para isso, o iFood também pretende utilizar muita inteligência artificial, por exemplo, para conseguir conectar os entregadores mais próximos de supermercados e de clientes. É uma das áreas de foco de contratação da empresa para a próxima temporada, como revelou ao Estado o presidente executivo do iFood, Carlos Moyses, no início deste ano. 

Diego Barreto é diretor financeiro do iFood Foto: iFood

Segundo Barreto, os mesmos profissionais que fazem entregas de refeições poderão efetuar os pedidos de mercados. “Há uma sinergia natural no negócio”, diz o executivo. Hoje, o iFood tem uma rede de 120 mil entregadores parceiros espalhados em 500 cidades do Brasil. Além disso, a empresa tem uma malha de 66 mil restaurantes e entrega 17,4 milhões de pedidos por mês – dados referentes a março de 2019. Assim como ocorre no negócio de entrega de refeições, o modelo de negócios do iFood para a área de mercearia está baseado em faturar com uma comissão sobre o valor total da compra. 

O iFood não se responsabilizará pela compra dos produtos em si – tarefa que caberá ao mercado parceiro –, mas apenas do atendimento ao cliente e das entregas. “Acreditamos que ninguém melhor que o mercado para organizar as compras”, diz Barreto. “Nós vamos entregar o que sabemos fazer de melhor: gerar tráfego e fazer boa tecnologia.” A iniciativa vai na contramão do que faz o colombiano Rappi, por exemplo, que contrata “compradores oficiais” para buscar pelos produtos dentro dos estabelecimentos. 

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A nova iniciativa do iFood coloca a startup brasileira em mais uma disputa com a colombiana Rappi, que oferece serviços de mercado e de entrega de refeições por aqui há cerca de um ano. As duas empresas também são donas dos dois maiores aportes já feitos em startups latinas: em outubro do ano passado, o iFood levantou US$ 500 milhões, em rodada liderada pela Naspers e pela Innova Capital, de Jorge Paulo Lemann. Em abril, a Rappi superou esse número ao receber US$ 1 bilhão do grupo japonês SoftBank, que tem despejado dinheiro em startups latinas.

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