Loft compra startup Invest Mais e reforça aposta em crédito

Startup do setor imobiliário criou divisão só para lidar com o tema, após reforçar frente de financiamentos e empréstimos com garantia; unicórnio está 'desenpacotando' seus serviços

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Por Bruno Capelas
Atualização:

A startup de imóveis Loft anunciou nesta quinta-feira, 24, a aquisição da Invest Mais, startup que intermedeia a relação entre bancos e clientes de financiamento imobiliário. Com a aquisição, que não teve seu valor revelado, a empresa reforça sua aposta na área de crédito – há alguns meses, o unicórnio fundado por Mate Pencz e Florian Hagenbuch decidiu criar uma divisão interna dedicada ao tema, a LoftCredi, cuidando de produtos como financiamento imobiliário e empréstimos com garantia

“A aquisição reforça a estratégia da Loft como plataforma de compra e venda de imóveis: depois de ajudar a escolher o apartamento ideal, a gente também ajuda o consumidor a decidir como pagar. A chegada da InvestMais nos dá acesso a uma grande variedade de bancos para comparar as melhores taxas”, diz o fundador e co-CEO da Loft, Mate Pencz, ao Estadão. “Já tínhamos ferramentas para ajudar nessa jornada, mas a aquisição traz uma grande escala para a Loft, o que se transforma em economia para os clientes.” 

Florian Hagenbuch e Mate Pencz, fundadores da Loft; após se tornarnovo unicórnio brasileiro em janeiro, empresa tem explorado novas frentes de negócio Foto: Tiago Queiroz/Estadão

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Fundada em 2017 por Henrique Motta, Welliton Moura e Andreas Yamagata, a Invest Mais hoje intermedeia a relação entre os clientes de imobiliárias e os bancos na hora de abrir um financiamento imobiliário – segundo a Loft, a união entre as empresas vai gerar um grupo capaz de gerar mais de R$ 1 bilhão ao ano em financiamentos. Em comunicado divulgado na tarde desta quinta-feira, as companhias afirmam que os 20 funcionários da Invest Mais vão se integrar à Loft, mas seguirão atendendo seus mais de 300 parceiros “de forma inalterada.” 

“Sentimos que a máquina que criamos para negociar os imóveis também poderia ser usada para captar financiamentos de apartamentos que não eram vendidos pela Loft. Afinal, para o comprador o que importa é o imóvel certo, não por quem ele tá sendo vendido”, diz Pencz. O reforço da aposta no mercado de crédito, por sua vez, é mais um passo da Loft para adequar sua estrutura às necessidades do usuário. 

É uma receita inusitada: ao contrário de outras startups que começaram com um produto pequeno e foram crescendo em tamanho, a Loft criou uma solução grande – o pacote “compra, reforma e vende um imóvel”, que pode ser desdobrado em serviços de reforma, auxílio com burocracia ou financiamento. “Depois de fazer centenas de operações de compra, venda e reforma, nós entendemos a espinha dorsal do negócio. E aí conseguimos fazer a experiência à la carte, a partir do que o cliente precisa”, explica Pencz. Fundada em 2018, a Loft já vendeu 1,5 mil apartamentos em São Paulo e no Rio de Janeiro; hoje, a empresa diz ter 3,5 mil imóveis à venda. 

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Outro avanço recente dado pela empresa nesse sentido foi a de iniciar a publicar anúncios de imóveis que não foram necessariamente comprados pela Loft, conectando apenas compradores e vendedores por meio da plataforma da empresa. “É outra forma de atender ao mercado pela nossa marca”, diz Pencz, que afirma que a empresa não cobra pelos valores dos anúncios – apenas recebe uma comissão no caso de sucesso das transações. 

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Segundo o executivo, os imóveis oferecidos dessa forma ainda contam com curadoria da startup, passando por algoritmos de precificação e avaliação. Com a nova oferta, a empresa criou ainda uma categoria própria para os imóveis que ela selecionou para comprar e revender – chamada de Loft Select. De acordo com Pencz, a empresa também se diferencia de rivais tradicionais do mercado por “auxiliar o consumidor ao longo de sua jornada, não oferecendo só o anúncio, mas acompanhando a necessidade e a transação dele”. 

O movimento de expansão de áreas da Loft também vem de encontro com a forma como a empresa respondeu à pandemia – e à alta na digitalização do mercado decorrente da quarentena. Segundo Pencz, a empresa preferiu focar em oportunidades de negócio nas cidades em que já atua – São Paulo e Rio de Janeiro – para “surfar oportunidades em meio à mudanças radicais de comportamento”. “Era um pulo do gato que podíamos dar, com o que estamos fazendo com o financiamento”, diz o executivo. 

Segundo ele, planos para abrir negócios em novas praças devem ficar para 2021: ao Estadão, ele cita Belo Horizonte e Cidade do México como próximos destinos. “Estamos com o time e a inteligência de mercado prontos para BH, mas optamos por aprender mais no jogo nas duas cidades que estamos, antes de começar uma nova cidade”, afirma. 

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