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Mirando XP e BTG, fintech de investimentos Warren levanta R$ 300 milhões

Fundo soberano de Singapura, GIC lidera a rodada da startup que quer ser a líder em investimentos no Brasil

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Por Guilherme Guerra
Atualização:

Tentando se colocar do lado oposto às grandes corretoras e bancões do mercado financeiro, a startup gaúcha de investimentos Warren anuncia nesta quarta-feira, 28, que recebeu um aporte de R$ 300 milhões liderado pelo GIC, fundo soberano de Singapura, conhecido por já ter investido em unicórnios brasileiros como Nubank, Loft e Hotmart.

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O cheque é o maior da história da startup que, em 2019, havia recebido R$ 25 milhões em uma rodada série A dos fundos Ribbit, Kaszek e Chromo Invest. Em 2020, a empresa levantou R$ 120 milhões na rodada série B, que teve participação de QED, Meli Fund e Quarts. Todos esses investidores voltaram a aportar na terceira rodada.

O CEO da empresa, Tito Gusmão, comemora o investimento e afirma que as conversas para o investimento série C foram rápidas, levando três meses para acertar as ofertas entre os fundos. “Nosso sonho é ser a maior corretora do Brasil nos próximos 10 anos e nossa missão é derrubar a XP e o BTG”, conta em entrevista ao Estadão. “Por isso é muito legal ter essa turma (de investidores) do nosso lado acreditando no nosso projeto”.

O presidente executivo afirma que pretende gastar o dinheiro em quatro frentes: ampliar o time de funcionários, que hoje está em 400 pessoas; fazer mais parcerias; realizar aquisições; e investir em marketing. (“fazemos pouco barulho”, diz ele).

Atualmente, a Warren tem mais de 200 mil clientes no Brasil e possui R$ 6 bilhões sob gestão. A meta é que, até o fim do ano, o número chegue a 300 mil usuários e que seja duplicado o patrimônio sob gestão.

Da esq. para dir., os fundadores da Warren: André Gusmão, Tito Gusmão, Rodrigo Grundig, Marcelo Maisonnave e Kelly Gusmão Foto: Divulgação/Warren

Cliente tem sempre razão

Ao contrário das rivais, o modelo de negócio da startup é “alinhado com o cliente”, diz a Warren. Isso porque a empresa usa o modelo “fee-based”, em que a plataforma de investimentos cobra uma comissão de 0,6% anual do patrimônio total dos investidores, e não por produto vendido, como ocorre nas concorrentes. Para Gusmão, esse modelo impede que exista um conflito de interesse, no qual o vendedor pode empurrar uma carteira de investimento que não é tão favorável ao cliente, mas pode engordar a comissão de quem vende.

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“Não estamos inventando a roda. Os superricos têm acesso ao fee-based e nos Estados Unidos esse é o modelo em que se investe”, diz o presidente. “Eu estou alinhado com o patrimônio do meu cliente crescendo, não com uma carteira individual”.

Fundada em Porto Alegre em 2017, a corretora utiliza um robô para oferecer diferentes carteiras para o cliente conforme três variáveis: perfil de investidor, tempo planejado para o investimento e objetivo final. Automaticamente, a plataforma seleciona as carteiras mais apropriadas segundo o gosto do freguês da vez, com maior ou menor risco e maior ou menor rentabilidade no longo ou curto prazo. Além disso, para os mais experientes, é possível montar sua própria carteira.

Outra aposta da Warren é a Warren Business, ferramenta b2b (da empresa para empresas) que oferece uma plataforma para corretores gerenciarem a carteira de clientes. Para Gusmão, esse novo tipo de relacionamento é o que deve ser o futuro dos investimentos, com a prevalência do consultor de investimentos: “A figura do agente autônomo vai morrer em 5 a 10 anos porque já está morrendo nos EUA. A nossa plataforma é para esse consultor”, diz.

Investimento a longo prazo

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A Warren, assim como as adversárias no mercado financeiro, surfa na onda do juro baixo, que, em 2020, atingiu as mínimas históricas de 2% ao ano. Mesmo com o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizando futuras altas nos juros para conter a subida da inflação (que, nesta semana, pode terminar o ano de 2021 em mais de 5%, segundo o Boletim Focus), a startup vê no Brasil um mercado enorme para crescer, já que “o brasileiro não é mais rentista”.

O principal desafio é convencer o investidor a depositar seu pé de meia na Warren, e não na concorrente A, B ou C. “O mercado de investimentos é diferente de outros. Comprar uma camiseta pode ser por impulso, mas para depositar o seu suado dinheirinho numa corretora você precisa confiar na empresa para que ela, no longuíssimo prazo, cuide bem dele”, explica Gusmão. 

O que a Warren garante é que não será comprada pelas concorrentes — Gusmão diz que bancões e “(bancos) moderninhos” já entraram em contato para adquirir a startup, mas as propostas foram recusadas. “Ninguém aqui quer flipar a empresa”, diz o CEO, em referência ao movimento do mercado financeiro de se beneficiar com a venda de ações de empresas que abriram o IPO com muito sucesso. “Estou aqui para os próximos 30 anos.”

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