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Países africanos veem na inovação um meio de crescer

Repleta de startups, hubs de inovação, centros de pesquisa e um mercado consumidor com 1 bilhão de pessoas, a África está se tornando um pólo crescente de empreendedorismo tecnológico e inovação, a começar por países como Nigéria e Quênia

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Por Redação Link
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Por Diogo Antônio Rodriguez, especial para o ‘Estado’

Os clichês a respeito da África são muitos. No melhor dos casos, mostram um continente exótico, onde se pode fazer safáris e encontrar tribos exóticas; uma visão mais pessimista mostra um lugar desolado, tomado por doenças, pobreza e guerras civis. Talvez por isso seja tão difícil enxergar a nova onda de inovação que toma conta do continente, especialmente na Nigéria e no Quênia. Um ecossistema local começa a se formar em torno da tecnologia e, junto dele, hubs de inovação, fundos de capital de risco e, claro, boas ideias.

A rede AfriLabs, por exemplo, está em 18 países do continente, conectando 36 centros focados na inovação tecnológica. Fundado em 2011, o objetivo da organização é aproveitar o conhecimento local para incentivar os empreendedores a refinar seus produtos. Dentre os objetivos descritos pelo AfriLabs estão criar uma comunidade em torno do conhecimento compartilhado e aproveitar recursos locais para pensar em novas soluções. Outra congregação de empresas inovadoras, a iHub, do Quênia, tem uma estrutura parecida. Quando surgiu, em 2010, tinha 2 mil membros.

Hoje são 16.565, segundo números do próprio hub. De acordo com Evans Campbell, um dos fundadores, mais de 150 startups já surgiram do laboratório, 18 dessas incubadas internamente. “O iHub, em essência, é uma comunidade de criativos e tecnólogos unidos por um tema comum: inovação”, diz Campbell.

As estimativas quanto ao número de novas empresas não são claras, mas algumas evidências mostram que o mercado africano é bastante sedutor. Existem mais de 100 hubs de inovação espalhados por toda a África. Em 2012, foram investidos mais de US$ 40 milhões em capital de risco. Esse valor aumentou dez vezes em 2014: US$ 414 milhões. A projeção para 2018 é que chegue a US$ 608 milhões. “A África é um berço para inovação e uma importante fonte de soluções para mudar o mundo. Com uma população de um bilhão de pessoas, uma classe média em ascensão, uma alta penetração de aparelhos móveis, acesso melhor à internet e um clima político que está melhorando, existem muitas possibilidades”, afirma Miguel Heilbron, diretor do fundo de investimento VC4Africa (Venture Capital for Africa), que tem mais de 20 mil empreendedores, mentores, investidores e outros profissionais da área de negócios. “Para concretizar o potencial dos empreendedores mais promissores do continente”, afirma, “recursos vitais têm de ser liberados, como redes, conhecimento e capital”.

Aposta móvel

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Apesar de não ter bons índices econômicos e sociais, a África tem um grande potencial para o desenvolvimento de novas tecnologias, principalmente porque grande parte do seu acesso à internet é feita por meio de smartphones. No Quênia, por exemplo, 99% das assinaturas de internet estão vinculadas a aparelhos móveis. As companhias locais sabem muito bem disso e exploram a mania dos africanos por seus aparelhos para criar novas soluções baseadas no mobile. Um bom exemplo é a Weza Tele, uma companhia queniana que criou um sistema de compras online em 2012, para facilitar o comércio e pagamentos via smartphones não só no Quênia, mas também na Tanzânia, Zimbábue e Nigéria. Em maio desse ano a empresa foi comprada por US$ 1,7 milhão pela AFB, uma grande empresa bancária africana. O valor é pequeno, principalmente se comparado aos praticados no Vale do Silício, mas mostra o potencial do mercado africano.

No ano passado, a Weza Tele recebeu o prêmio de empreendedorismo anual concedido pela consultoria multinacional Frost & Sullivan. “Ela foi excepcional em um mercado não explorado, ao criar soluções flexíveis para o setor de fornecimento em pequena escala”, declarou a companhia no anúncio da honraria.

Se a ambição de toda startup é conseguir financiamento e dar escala ao seu produto, existem muitas outras candidatas a seguir o caminho da Weza Tele. Na aceleradora Nailab estão três postulantes: Hisa Play, um jogo para smartphones que simula o investimento em ações na bolsa de valores; Ninja Prep, com questões de reforço escolar para crianças; e a Taskwetu, uma plataforma onde se pode pagar para outras pessoas fazerem pequenas tarefas diárias.

“Um das áreas em que precisamos investir é no marketing, já que precisamos criar presenças física e online fortes para nossa companhia”, disse Leila Khalif, fundadora do Taskwetu ao site Human IPO. Outras iniciativas incluem uma plataforma de e-commerce de produtos de artesãos locais (Soko), uma lâmpada recarregável por energia solar (Karibu Solar) e um portal de empregos (Njorku).

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Plano

A ousadia das iniciativas ganhou outra escala quando o governo do Quênia aprovou, em 2008, o projeto Konza Tech City, parte de um plano para tornar o país uma referência mundial em crescimento e inovação até 2030. Em vez de criar hubs isolados, a ideia é tornar a cidade toda de Konza em um grande centro para atrair empreendedores e companhias de tecnologia. A expectativa é chegar a US$ 300 bilhões em negócios relacionados a esse tipo de indústria até o final de 2015. A cidade foi fundada em 2009, em um lote de terra de 5 mil acres a 60 quilômetros de Nairobi. Espera-se que Konza gere mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, consolidando o Quênia como força regional e global.

Gigantes da tecnologia apostam no continente

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Outro sinal de que existem muitas oportunidades a serem exploradas na África são as investidas de grandes companhias, como Google e Facebook. A rede social de Mark Zuckerberg está presente em 16 países através do Internet.org, projeto para oferecer conexão à internet para o mundo todo. Para atender ao grande número de aparelhos celulares, a empresa criou um pacote de apps sociais baseados no Facebook feitos especialmente para rodar em conexões mais frágeis, já que essa ainda é a realidade da rede mundial na maioria dos países africanos. O pacote também inclui a Wikipédia e apps de desenvolvedores locais. Além, claro das já conhecidas estratégias para levar sinal de internet a locais remotos, como drones, balões e satélites. Mas Zuckerberg não é o único a olhar para a África. O Google também pretende se estabelecer por lá. Em Kampala, Uganda, construiu uma rede de fibra óptica, também como projeto-piloto para universalizar a conexão do povo africano, chamada Project Link. A cidade, que tem 1,6 milhões de pessoas, ganhou uma imensa rede de cabos de fibra óptica para aumentar a velocidade de conexão de todos os provedores locais.

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Até mesmo a Microsoft resolveu fazer parte da cena da savana, estudando maneiras de oferecer sinal de internet usando frequências inativas do sinal de televisão. O governo americano também se envolveu no projeto através da companhia Oversear Private Investment Corporation. Já a IBM se dedica à cena local de startups, oferecendo treinamento e consultoria a hubs de inovação e aceleradoras.

A empresa criada por Bill Gates tem, ao mesmo tempo, a iniciativa 4Afrika, um centro de incentivo ao empreendedorismo e ao desenvolvimento tecnológico. Entre outros projetos, a Microsoft tem duas “AppFactories”, uma no Egito e a outra na África do Sul. Ali, programadores desenvolvem programas para as plataformas Windows desktop e mobile.

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