Argentinos fazem panelaço em apoio a setor rural

Protestos tomaram ruas de Buenos Aires e províncias de Salta, Tucumán e Santa Fé.

Marcia Carmo, BBC

25 de março de 2008 | 21h35

Os argentinos saíram às ruas com panelas na mão na noite desta terça-feira para protestar contra o aumento dos impostos às exportações do setor agropecuário - o principal braço da economia da Argentina. As manifestações incluem buzinaços e tomaram as principais praças e esquinas da capital federal, Buenos Aires, além de outros pontos do país, como as províncias de Tucumán, Santa Fé e Salta. Segundo as principais emissoras de televisão do país, como América TV e TN (Todo Notícias), os protestos desta terça-feira foram os maiores contra o governo da presidente Cristina Kirchner e da administração anterior, a gestão do seu marido, Néstor Kirchner. "São protestos da abundância", disse Cristina Kirchner. "São os protestos dos setores mais ricos da Argentina."Os panelaços, conhecidos na Argentina como "cacerolazos", marcaram a queda do ex-presidente Fernando de la Rúa em 2001. DesabastecimentoOs protestos ganharam força assim que Cristina Kirchner concluiu um discurso, na Casa Rosada, sede da Presidência da República, criticando a paralisação do setor agropecuário contra as medidas do governo. "O setor agropecuário foi o que mais registrou rentabilidade desde 2001", disse. "Não vou me submeter a nenhum tipo de extorsão."O discurso da presidente foi mostrado ao vivo pela TV pouco depois que as organizações que representam o setor agropecuário anunciaram que manterão a greve e os tratores nas estradas do país por tempo indeterminado. A paralisação dos ruralistas - pequenos, médios e grandes - começou há 13 dias e foi intensificada na segunda-feira. "Nosso protesto é para ver se assim conseguimos uma discussão com esse governo, que não dialoga com ninguém. E se recusa a sentar para discutir com a gente também", afirmou Eduardo Buzzi, secretário geral da Federação Agrária Argentina (FAA). O ministro da Economia, Martín Lousteau, criticou, nesta terça-feira, a greve do setor agropecuário, que já provoca falta de alimentos nos supermercados do país. "Não vamos voltar atrás (...) Aqui, os produtores argentinos ganham 15% mais do que se ganha no Brasil", disse o ministro. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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