Assalto a embarcação termina em morte no Pará

Segundo presidente de entidade, ocorre ao menos um roubo por semana nos rio da região

Ricardo Valota, estadao.com.br

10 Janeiro 2009 | 16h34

Os assaltos a embarcações vêm tirando o sono de empresários que trabalham com balsas usadas para transporte de cargas nos rios do Pará, na região amazônica. O último deles, às 20 horas de sexta-feira, na Baía de Marajó, em frente ao município de Gurupá, terminou com a morte do comandante da embarcação, Benedito Pereira Rabelo, de 44 anos, atingindo por um tiro no coração. Segundo o empresário Luiz Rebelo, dono da Rebelo Indústria Comercio e Navegação (Reicon) e presidente da Federação Nacional das Empresas de Navegação Marítima, Fluvial, Lacustre e de Tráfego Portuário (Fenavega), seu funcionário não chegou a reagir. Duas embarcações menores se aproximaram e quando Benedito se aproximou para olhar foi atingido pelo disparo. Minutos depois, os "piratas" voltaram e saquearam a balsa. O resto da tripulação só não foi morto porque ficou no escondido no "empurrador".  "Há dois anos, a Polícia Federal proibiu o uso de armas nas tripulações. Nosso pessoal não pode andar armado. Ou contratamos uma empresa de segurança particular ou ficamos à mercê dos criminosos. Há um ano atrás estive reunido com o ministro da Justiça e pedi autorização para que as empresas pudessem ter uma tripulação armada. Se o Estado não dá garantia de segurança, nós temos o direito de nos defender", desabafou o empresário. Segundo ainda Rebelo, toda semana ocorre pelo menos um assalto nos rios da região. São 500 milhas náuticas, desde Belém até Santarém. Os assaltos às embarcações da Reicon ficaram constantes de um ano e meio para cá, mas começaram a aumentar a partir de outubro. "Já chegaram a levar de nós mais de 1 milhão de litros num único assalto", acrescentou o empresário.  Em relação ao assalto de sexta, nenhum dos criminosos havia sido preso até o início da tarde deste sábado. "Toda semana uma empresa é assaltada por piratas. Para você ter uma ideia: a delegacia de Gurupá não tem policiais nem viaturas, apenas um Escrivão e o delegado. Se tiverem que correr atrás de bandidos não tem como", comentou Rebelo.

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