Ataques em Aleppo prejudicam base de poder de presidente sírio

Sírios fugindo dos combates em Aleppo estão furiosos com o presidente Bashar al-Assad por ter usado tanto poder de fogo em uma cidade que tinha ficado em sua maior parte à margem da revolta de 17 meses contra ele.

SULEIMAN AL-KHALIDI, Reuters

03 de agosto de 2012 | 15h34

Alguns dizem que a decisão do líder sírio de liberar aviões, helicópteros, tanques e artilharia contra os rebeldes que buscam tomar Aleppo pode ser fatal para suas chances de sobrevivência.

"Eu nunca esperava que Assad fizesse isso", disse Nabil Najjar, um carpinteiro de 72 anos de idade, sentado em um colchão em um apartamento de dois quartos pouco mobiliado, na cidade turca de Antakya.

"Aleppo é a queda dele", disse ele. "O pai dele (o presidente Hafez al-Assad) o avisou: se você quiser permanecer no poder, ganhe Aleppo. Ele perdeu e agora o seu trono está desmoronando."

Para Najjar, as batalhas de rua revivem memórias de uma campanha militar conduzida pelo pai de Assad há 30 anos para esmagar uma revolta armada da Irmandade Muçulmana em Hama e Aleppo. Muitos milhares foram mortos e todo o bairro antigo de Hama foi arrasado.

ATAQUE VIOLENTO IMINENTE?

Assad agora pode ter alienado muitos corações e mentes entre os 2,5 milhões de habitantes Aleppo, mas a luta militar de 10 dias de duração pela maior cidade da Síria parece longe de terminar.

"O foco agora está em Aleppo, onde tem havido um considerável acúmulo de meios militares, e onde temos razão para acreditar que a principal batalha está prestes a começar", disse o chefe de paz da ONU, Hervé Ladsous, em Nova York na quinta-feira.

Os refugiados da Síria abrigados em apartamentos baratos no distrito Haci Omer, em Antakya, ao lado de vizinhos turcos de ascendência árabe, vão achar difícil acreditar que a guerra que repentinamente engoliu a sua cidade poderá ficar pior.

O alfaiate Musa Hariri fugiu para a Turquia na quarta-feira depois que enterrou sua filha Sama, de 6 anos, morta em um bombardeio do Exército sírio em sua casa no bairro de Salaheddine, em Aleppo.

"Nós enterramos Sama, que Deus tenha sua alma em paz, e corremos daqui. Pelo menos aqui não há Exército de Assad, não há bombardeios, nenhum som exceto aqueles de pessoas", disse Hariri, de 42 anos.

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