Bomba mata 100 no Paquistão; prédio da ONU é atacado em Cabul

Atentados são retaliação contra ofensiva anti-Taleban do Exército paquistanês e tentativa de minar eleição afegã

AP E REUTERS, PESHAWAR, PAQUISTÃO, O Estadao de S.Paulo

29 de outubro de 2009 | 00h00

Um carro-bomba foi detonado ontem em um mercado lotado em Peshawar, no noroeste do Paquistão, matando mais de 100 pessoas - a maioria mulheres e crianças - e ferindo mais de 200. Quase simultaneamente, em outro atentado atribuído ao grupo Taleban, terroristas suicidas usando coletes-bomba e atiradores mataram 12 pessoas numa residência da ONU na capital afegã, Cabul.  

 

Veja também:

linkGrupo ligado à Al-Qaeda assume autoria de ataques em Bagdá

linkAnálise: Estratégia no Iraque era 'exemplo' para o Afeganistão

especial Guerra do Iraque: do início ao início do fim

especialAs principais ações suicidas a serviço do terror  

A explosão no Paquistão ocorreu poucas horas depois de a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, chegar à capital do país, Islamabad, para demonstrar o apoio de Washington à campanha do governo paquistanês contra o Taleban.

Autoridades disseram que o atentado, o mais sangrento em dois anos, é mais uma retaliação dos insurgentes à ofensiva lançada este mês pelo Exército contra redutos do Taleban e da Al-Qaeda no Waziristão do Sul, na fronteira com o Afeganistão.

Após o ataque em Cabul, o grupo deixou claro que esse é apenas "um dos vários ataques que fará para minar o segundo turno da eleição presidencial afegã", no dia 7. Os dois atentados são considerados por especialistas um sinal claro da escalada do Taleban.

O atentado de ontem em Peshawar foi o mais mortífero desde o ataque contra a celebração pelo retorno ao país da ex-premiê Benazir Bhutto, em Karachi (sul), em outubro de 2007, no qual mais de 150 pessoas morreram. Benazir foi assassinada dois meses depois durante um comício em Rawalpindi.

Boa parte do mercado de Mina, na parte antiga de Peshawar, foi destruída com a explosão. O local é um emaranhado de ruas estreitas com lojas e bancas vendendo vestidos, brinquedos e bijuterias. Por isso, atrai principalmente mulheres acompanhadas de seus filhos.

Dezenas de prédios desabaram, incluindo uma mesquita, e lojas pegaram fogo. Testemunhas disseram que os feridos aguardavam socorro sentados entre destroços em chamas e corpos, enquanto uma densa fumaça tomou o céu da cidade.

"Ouvi um estrondo ensurdecedor e fiquei cego por alguns minutos", disse Mohammad Usman, um comerciante que teve ferimentos no ombro. "Então, ouvi mulheres e crianças chorando e comecei a ajudar."

Em sua primeira visita ao Paquistão como secretária de Estado, Hillary estava a três horas de carro de Peshawar quanto o atentado ocorreu. Durante uma entrevista, ela elogiou a ofensiva anti-Taleban do Exército e reiterou o apoio dos EUA.

"Quero que todos aqui saibam que o Paquistão não está sozinho nessa luta", disse Hillary. "Os extremistas querem destruir o que é importante para vocês e para todos nós. Portanto, essa luta também é nossa" (mais informações nesta página).

Ao lado da secretária estava o chanceler paquistanês, Mahmud Quereshi, que afirmou que a violência não impedirá que o governo reaja. "Nossa determinação não será abalada. Vamos combater esses criminosos porque queremos paz e estabilidade."

Três bombas foram detonadas só este mês em Peshawar, incluindo uma que matou 50 pessoas. Esses ataques são parte da onda de violência lançada pelo Taleban que já matou 250 pessoas em um mês e vem expondo as fraquezas do governo na luta contra a insurgência. O Taleban fez ameaças, dizendo que lançarão mais atentados se o Exército não interromper a ofensiva.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.