Bomba-relógio na economia explode se Dilma for reeleita, diz vice de Aécio

Aloysio Nunes disse que Dilma não terá força política para enfrentar problemas criados ao longo do governo petista

EDUARDO SIMÕES E ALEXANDRE CAVERNI, REUTERS

13 Agosto 2014 | 11h05

Uma "bomba-relógio" explodirá na economia brasileira caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita em outubro. A previsão é do candidato a vice-presidente da República na chapa do também tucano Aécio Neves, o senador paulista Aloysio Nunes, para quem a petista está "desnorteada".

A herança deixada pelos quatro anos de Dilma à frente do governo federal será "uma herança grave para qualquer um, mas mais grave ainda se for dada dela para ela mesma", avaliou o senador em entrevista à Reuters no quartel-general da campanha do PSDB em São Paulo, na terça-feira.

"Eu acho que a bomba-relógio vai explodir sobretudo se a presidente Dilma for reeleita", disse o tucano, citando o atual quadro econômico de baixo crescimento econômico e de inflação no teto da meta estabelecida pelo governo --de 4,5 por cento com margem de tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

"Ela (Dilma) não terá força política para enfrentar os problemas criados ao longo dos governos do (ex-presidente) Lula e dela. Ela está amarrada no sistema de alianças políticas... e não tem condições de romper", avaliou Aloysio Nunes, garantindo que, se eleito, Aécio romperá com esse sistema de alianças.

Ele assegurou que um governo tucano não será tolerante com a inflação no teto da meta e acusou Dilma de se "lixar" para o centro da meta. Mas não especificou que prazo considera adequado para levar a inflação ao centro da meta. Na segunda-feira, Aécio disse que quer fazer isso até o final dos quatros anos de um eventual governo tucano.

Aloysio Nunes defendeu a redução dos gastos públicos --"a austeridade é um ativo político importante"--, mas não detalhou quais gastos seriam cortados em um eventual governo tucano. Ele apenas ressaltou que Aécio tomará as medidas necessárias para colocar a economia em ordem.

Em entrevista à Reuters em abril, Aécio disse que estava preparado para adotar "medidas impopulares" como a redução dos gastos públicos, o que gerou críticas de Dilma, que argumentou que essas medidas envolveriam arrocho salarial. Depois disso, o tucano deixou de usar a expressão. [nE5N0LX007]

Para Aloysio Nunes, existe uma percepção entre os investidores de que Dilma "não sabe o que fazer com o país". Ele bateu na tecla que vem sendo repetida por Aécio, de que uma vitória do PSDB nas eleições de outubro contribuirá para a reversão de expectativas em relação à economia.

"Ela (Dilma) está inteiramente desnorteada", disparou o senador paulista. "Há um intervencionismo atabalhoado, que acabou gerando resultados desastrosos, especialmente no setor elétrico", argumentou.

O senador se referia à decisão tomada pelo governo Dilma no final de 2012 de antecipar a renovação das concessões de energia para reduzir as tarifas. A escassez de chuvas, no entanto, obrigou o uso intensivo da energia mais cara das termoelétricas, levando o governo a tomar medidas para socorrer financeiramente as distribuidoras.

Num momento em que a ampla maioria da população deseja mudanças, segundo as pesquisas de opinião, com o PSDB usando como slogan "Muda Brasil", Aloysio Nunes ironizou o mote da campanha de reeleição de Dilma, focado na ideia de que "o Brasil vai continuar mudando".

"Eles querem é conservar o poder. Não querem mudar coisa nenhuma", acusou. O argumento de Dilma e sua equipe, no entanto, é que os governos do PT mudaram o país e é por isso que ela tem condições de continuar fazendo mais mudanças.

Apesar das duras críticas a Dilma e ao governo atual, Aloysio garantiu que, se vencer a eleição, Aécio e o PSDB não terão a pretensão de que "o Brasil começará no dia 1º de janeiro” de 2015 e garantiu que serão mantidos programas bem-sucedidos, especialmente sociais, como o Bolsa-Família.

PMDB E AGENDA LEGISLATIVA FORTE

Aloysio Nunes reconheceu que, dado o quadro político fragmentado no Brasil, "não é nada condenável" que ministérios sejam entregues a aliados, ainda que não tenha perdido a oportunidade para nova alfinetada no governo petista, falando que hoje há um loteamento de cargos públicos "no varejo absoluto”.

"Você pode dar para compor a maioria, especialmente dentro da maioria que o apoiou para governar em torno de um programa", disse.

Ele não descartou a participação do PMDB numa eventual administração tucana. Muitas vezes criticado por aderir a diferentes governos mesmo quando apoiou outros candidatos durante a campanha eleitoral, o PMDB tem hoje tem o vice-presidente da República, Michel Temer, que tenta a reeleição junto com Dilma.

"Eu não demonizo o PMDB", disse Aloysio Nunes. "É perfeitamente possível um diálogo com o PMDB, a apresentação de um programa de governo e eles virem a nos apoiar. Se vai participar do governo ou não é outra coisa."

E apontou como ter uma boa relação entre o Executivo e o Parlamento: "a partir de uma agenda legislativa forte é muito mais fácil o presidente manejar o Congresso".

O senador paulista disse que o partido está confortável com o desempenho de Aécio até agora na campanha, apesar de o presidenciável tucano estar 15 pontos atrás de Dilma, segundo pesquisa Ibope divulgada na semana passada. Ainda mais porque num eventual segundo turno, a diferença mostrada pela pesquisa é bem menor. [nL2N0QE02Q]

"A pesquisa eleitoral é um dado, mas um outro dado que nós levamos em conta é a rejeição à presidente Dilma, que é muito alta, a avaliação de governo, que é muito baixa, e o grau de confiança no governo, que também é baixo", disse.

Na avaliação do tucano, a candidatura de Aécio está bem posicionada nos principais colégios eleitorais do país, inclusive com apoio de dissidentes do PMDB em alguns deles, e nem mesmo o fato de Dilma ter muito mais tempo na propaganda na TV e no rádio que Aécio lhe parece decisivo.

"Às vezes, quem fala muito acaba dando bom dia para cavalo", disse. "Nos colégios eleitorais maiores, a situação do candidato do PSDB é muito mais favorável do que era em 2010."

(Reportagem adicional de Brian Winter)

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