Brasileiro é preso por explorar tavesti na Itália

Segundo a polícia, casos como esse são comuns em região turística do país.

Assimina Vlahou, BBC

03 de abril de 2008 | 05h45

A policia italiana prendeu nesta semana o brasileiro Luiz Soares Marcos, de 39 anos, acusado de explorar um travesti, também brasileiro, cujo nome não foi divulgado.O travesti, que estava ilegalmente no país, fazia ponto entre as cidades de Pisa e Follonica, na região central da Itália. De acordo com a policia, ele entregava até 10 mil euros por mês (cerca de R$ 25 mil reais) a Luiz Soares Marcos. "Os lucros eram relevantes mas ele dava tudo para Soares porque tinha que pagar cerca de 15 mil euros só por ter sido trazido para a Itália", disse à BBC Brasil o tenente Ângelo Murgia, da delegacia de Viareggio, cidade próxima de Pisa, que coordenou a investigação.Luiz Soares, que estava de forma regular no país, teria trazido o rapaz do Brasil, através da Hungria em 2006, com promessa de arranjar trabalho na Itália.Depois de um ano de exploração, contudo, ele resolveu denunciar o caso para a polícia, que agora está investigando para descobrir se Luiz Soares Marcos agia sozinho ou se fazia parte de uma rede de prostituição mais ampla, envolvendo italianos e brasileiros."Soares tinha antecedentes penais por envolvimento com drogas e prostituição", informou o tenente.ColaboraçãoO travesti brasileiro resolveu colaborar com a polícia fornecendo informações que podem ajudar na segunda parte das investigações.A delegacia de Viareggio informou que não há dados estatísticos sobre o envolvimento de brasileiros com prostituição na região.Mas segundo o tenente Murgia, há muitos casos ente Viareggio e Torre del Lago, uma região turística, próxima ao mar, com muitos bares e boates freqüentados principalmente por homossexuais."Há numerosos casos, principalmente envolvendo travestis brasileiros nesta área, mas houve também muitos casos de prostituição de mulheres. É só ver os anúncios nos jornais e em alguns sites na internet para entender o movimento", informou Murgia.A maioria não tem permissão para entrar no país, segundo o policial. Eles chegam de forma clandestina, sob ameaça das pessoas que os exploram, sem conhecer ninguém nem falar a língua do país. Acabam com medo de denunciar a exploração à policia e serem presos ou expulsos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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