Brasileiros procuram graduação nos EUA

Custo equivalente ao de cursos no Brasil atrai, mas inglês ainda é principal desafio

PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2012 | 03h04

Entrar na faculdade já é fator de ansiedade para a maioria dos estudantes. Mas a paulistana Nathalia Santos Freitas não consegue dormir pensando nisso. Ela vai estudar psicologia em Missouri, nos EUA, pelos próximos anos. As aulas começam em agosto.

"Vou começar do zero em outro país, tem de fazer amigos tudo de novo. Vai ser difícil, mas estou muito empolgada", diz ela, que tem 19 anos e faz parte de um grupo de estudantes que não quer só um intercâmbio de alguns meses. A ideia é completar toda a graduação no exterior. "Eu procurei uma empresa e levei meus pais. Percebemos que era viável e, somando tudo, saia quase o mesmo custo de estudar aqui."

Levantamento da Exchange International (EI) Brasil, que mediou a ida de Nathalia, mostra que os gastos em algumas instituições americanas podem ser até menores do que no Brasil. O país conta com mais de 3 mil instituições de ensino superior.

"O sistema educacional dos Estados Unidos tem uma qualidade indiscutível. Antes nem se falava em universidades de outros países, mas agora as pessoas estão achando possível estudar fora e a procura só cresce", explica Ricardo Raposo, diretor acadêmico e esportivo da EI Brasil. Segundo ele, uma família que pode pagar, por exemplo, um curso no Mackenzie tem total condição de manter um estudante nos Estados Unidos (veja quadro ao lado). "E ele terá uma experiência de vida que aqui não teria, vai amadurecer muito."

A estudante Karine Araujo Ribeiro, de 19 anos, está sentindo isso. "Eu tenho de correr atrás de tudo, desde procurar casa a arrumar o carro. Tenho de pagar as contas, administrar o dinheiro. E chegar em casa, na minha casa, é muito legal", diz. Karine está desde julho do ano passado cursando a Santa Barbara CC, na Califórnia. O câmpus fica ao lado da praia, o que contou na hora da escolha.

Ela cursa Engenharia Biológica. A independência e a vida à beira-mar são pontos positivos, mas ela está realmente impressionada com a qualidade do que tem encontrado por lá. "Todas as aulas têm, além do professor, um tutor que auxilia nas dúvidas. Os professores ficam disponíveis após as aulas. Tenho a impressão de que aqui realmente eles querem que a gente aprenda e não apenas decore as coisas."

Aluno do 3.º ano da Eastern New México, no Estado americano do Novo México, Luiz Roberto Buosi Bachiega, de 23 anos, também tem uma avaliação muito positiva de seu curso de Administração e Negócios. Bachiega cursou no Brasil dois anos de Engenharia no Instituto Mauá, na Grande São Paulo, e sente a diferença dos modelos. "O curso na Mauá era bem puxado, mas aqui vejo que é mais voltado para o mundo profissional. Eu aprendo a fazer e entender o resultado."

Como é o próprio aluno que monta sua grade horária, Bachiega espera se formar em três anos e meio - um semestre antes do normal. Além de ralar nas salas de aula, ele ainda joga futebol pela faculdade - atividade que lhe rende uma bolsa de estudo. "Eu já havia garantido a bolsa, depois estudei para passar nas provas e no teste de inglês."

Seleção. Para ingressar no sistema americano é necessário ter boas notas no ensino médio e garantir bons resultados no Scholastic Assessment Test (SAT), o vestibular americano, e no Toefl, de proficiência em inglês.

"O maior empecilho ainda continua sendo o inglês. Mas há opções de cursos de idiomas de preparação", diz André Simonetti, da Central de Intercâmbios.

Para Renata Sanata, do STB, é importante que o aluno seja focado. "Existem alguns alunos preparados para iniciar de uma vez, mas muitos ainda não estão e o ideal é que façam um programa de iniciação, de seis meses, voltado para estudantes estrangeiros", diz ela.

AQUÉM

META

26.921

docentes chegam, no máximo, a 60% do

conteúdo previsto para o ano

75%

dos professores não cumprem o conteúdo previsto para

o ano, segundo dados da Prova Brasil

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