Braskem deve rever investimentos a partir de 2013

A Braskem, maior petroquímica das Américas, deverá rever investimentos a partir de 2013 devido ao atual cenário econômico, mas mantém o valor estimado para este ano, de 1,7 bilhão de reais, informou o presidente da empresa, Carlos Fadigas, nesta terça-feira.

Reuters

14 de agosto de 2012 | 15h05

"O número de 2012 nós confirmamos e vamos manter. A questão mais importante é de investimentos para frente. São esses, não os de 2012, que vamos ver de forma mais criteriosa", disse em coletiva de imprensa sobre os resultados financeiros.

"Para sustentar o ritmo de investimentos que a Braskem teve até hoje, precisaríamos de medidas anticíclicas", completou.

O executivo ressaltou que o cenário internacional para o segundo semestre continua sendo de volatilidade. "As notícias negativas e positivas se revezam. No mercado doméstico o ambiente já é menos positivo. Havia esperança de que 2012 seria um ano de recuperação, mas se a expectativa atual de PIB (Produto Interno Bruto) se confirmar, teremos um crescimento muito baixo", afirmou.

A estimativa atual para o crescimento da economia brasileira em 2012, segundo o último boletim Focus, é de alta de 1,8 por cento.

A Braskem apurou prejuízo de 1 bilhão de reais no segundo trimestre, revertendo lucro de 420 milhões de reais registrado no mesmo período de 2011, informou a petroquímica nesta terça-feira .

Fadigas também afirmou que espera uma melhora no terceiro trimestre tanto de vendas quanto de rentabilidade, devido a fatores sazonais e a melhora no spread internacional (relação entre volume de venda e preços de resinas).

"Tem o efeito da sazonalidade que todo o ano acontece. No Brasil você tem a coincidência do verão e as festas de fim de ano, isso traz concentração de vendas de resina no segundo semestre... No somatório, cerca de 55 por cento das vendas é na segunda metade do ano", disse o executivo.

Apesar da queda dos preços de matérias-primas no final do primeiro semestre, os valores já começaram a se recuperar, disse o executivo. Essa alta, aliada ao maior volume de vendas, deverá melhorar os spreads internacionais e a rentabilidade da empresa.

MERCADO DOMÉSTICO

Mesmo com a piora nas perspectivas para a economia interna, Fadigas demonstrou expectativa de reação, e informou que o setor tem se reunido com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) para pedir medidas de incentivo.

"O grupo se reuniu durante um ano e propostas foram entregues ao governo no fim do primeiro semestre." Segundo ele, além de Braskem, o grupo contava com a Petrobras e a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), entre outras instituições e empresas do setor.

Entre as propostas estão a desoneração de matéria-prima, de investimentos e estímulos à inovação tecnológica e de capital intelectual.

MÉXICO

O projeto da Braskem no México, que visa a produção de polietileno por meio de uma joint venture com o grupo Idesa, já iniciou a terraplanagem, informou Fadigas, adicionando que a empresa planeja a compra de resina no mercado internacional.

"Estamos pensando na compra de resina no mercado internacional para (...) começar o relacionamento comercial da Braskem com clientes no México."

A previsão é que o projeto entre em operação em julho de 2015, mas segundo Fadigas, isso poderá ocorrer antes desse período.

"De fato, nosso projeto está previsto para entrar em operação na virada da primeira para a segunda metade de 2015, eu diria que na verdade ele vai entrar um pouco antes", afirmou.

A Braskem informou também que houve a consolidação de uma parceria com a norte-americana Enterprise Products para fornecimento de propeno por cerca de 15 anos. De acordo com o presidente da empresa, essa parceria deverá trazer vantagens em relação a preços de mercado para a empresa.

"Estamos finalizando todos os detalhes com a Enterprise, para dar mais visibilidade de volume e tentar sinalizar quanto de Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) a gente agregaria, eu diria que a capacidade de geração de Ebitda da Braskem cresce mais de 30 por cento a partir de 2015 (nos EUA)", ressaltou Fadigas.

(Por Roberta Vilas Boas)

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