China enterra mortos em meio a novos tremores secundários

Governo eleva para quase 22 mil o número de vítimas; deslizamentos soterram veículos e prejudicam resgates

Agências internacionais,

16 de maio de 2008 | 07h45

Enquanto a China sofre para enterrar os mortos e ajudar as dezenas de milhares de feridos e desabrigados, um forte tremor trouxe mais destruição nesta sexta-feira, 16, apenas quatro dias depois de um terremoto que pode ter matado mais de 50 mil pessoas. O governo da província chinesa de Sichuan informou nesta sexta que o número de mortos subiu para 21.500. Veja também:Diminui esperança de achar sobreviventes do tremor na ChinaPolítica de filho único amplia tragédia Ouça o relato da jornalista Cláudia TrevisanMapa da destruição na China Entenda como acontecem os terremotos  Vídeo com imagens do terremoto Vídeo com imagens do resgate Imagens da destruição  Um tremor secundário chegou a 5,9 na escala Richter, atingindo Lixian, a oeste do epicentro do terremoto, em Wenchuan, o que interrompeu as estradas e os sistemas de telecomunicações, recentemente consertados. "Muitos veículos foram cobertos pelos deslizamentos de terra. O número de mortos ainda não é conhecido", disse a agência de notícias Xinhua. O presidente chinês, Hu Jintao, visitou nesta sexta-feira o vilarejo de Mianyang, no condado de Wenchuan. A área é a mais atingida pelo terremoto, que é considerado "a pior catástrofe natural" da China comunista. Hu Jintao se encontrou com o primeiro-ministro, Wen Jiabao, que está em Sichuan desde segunda-feira coordenando os mais de 135 mil soldados e médicos que participam dos esforços de resgate.  "Neste momento, os trabalhos de ajuda entraram na fase mais crucial. Nós precisamos fazer todos os esforços, correr contra o tempo e superar todas as dificuldades para alcançar a vitória final", disse Hu. Wen pediu que as autoridades garantam a estabilidade social, já que a frustração cresce entre os sobreviventes, muitos dos quais perderam tudo e vivem em barracas ou ao relento."Se houver o mínimo de esperança, não vamos poupar esforços. Se houver um sobrevivente nos escombros, não vamos desistir", disse Wen sobre os escombros de uma escola onde centenas estão soterrados.  Milhares de moradores de Beichuan, uma das áreas mais atingidas pelo tremor de segunda-feira, de magnitude 7,9, pegaram a estrada para sair da cidade, levando bebês, bolsas e malas em busca de abrigo. Um corpo jazia do lado de uma estrada, abandonado por alguém que não conseguia mais carregá-lo. Pedras do tamanho de carros também estão por toda parte, sinal dos deslizamentos de terra causados pelo terremoto. A cidade foi devastada - quase todos os prédios foram demolidos ou danificados e não podem mais ser habitados. Ao sul, na vila de Houzhuang, os moradores dizem que resistem sozinhos, já que as equipes de ajuda ainda não chegaram até eles. "Comemos um pouco de milho, mas agora estamos com diarréia depois de beber água de um fosso por dois dias", disse um morador, de apelido Liu. "Agora estamos tentando tirar coisas dos escombros para usar, como roupas, mas estamos com muito medo de que haja outro terremoto, então temos que ter muito cuidado", disse. A China mobilizou 130 mil militares e paramilitares para as áreas do desastre, mas com as estradas destruídas ou bloqueadas, fica difícil levar ajuda às áreas mais afetadas. As regiões vizinhas também sofrem, com mais de 50 mil desabrigados apenas em um condado da província de Gansu, ao norte do país, disse a Xinhua. Mas houve também pequenas vitórias. A equipe de resgate salvou uma criança das ruínas de uma escola em Beichuan, 80 horas depois dela ser atingida pelo tremor. Eles disseram que podiam ouvir pedidos de ajuda entre os escombros, segundo a Xinhua. Três outras pessoas foram salvas na sexta-feira, duas nos escombros de um prédio de escritórios e outra, entre as ruínas de um hospital. Além disso, 483 crianças e professores escaparam ilesos de uma escola destruída em Beichuan. (Com BBC Brasil e Reuters)

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