China se diz aberta a dialogar com ativistas pró-Tibete

Porta-voz afirma que governo se dispõe a conversar, mas se opõe à politização dos jogos.

Marina Wentzel, BBC

17 de abril de 2008 | 13h10

A China disse que está disposta a dialogar com os manifestantes que vêm tentando atrapalhar a passagem da tocha Olímpica, para explicar as posições políticas do país em relação ao Tibete.A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Jiang Yu, afirmou nesta quinta-feira que o governo chinês se dispõe a conversar com os ativistas pró-Tibete, mas enfatizou que se opõe à politização dos Jogos Olímpicos, como tem ocorrido durante o percurso da tocha olímpica por diversos países."Houve atividades para causar distúrbio à passagem da tocha. Se essas pessoas não entendem a política chinesa, nós estamos dispostos a incrementar a nossa comunicação com elas na base do respeito mútuo e da igualdade", afirmou Jiang."Mas se alguém quiser usar a ocasião para expressar e fazer sensacionalismo de suas visões políticas, então esse é o lugar errado", acrescentou a porta-voz.Ela criticou o que chamou de ataques "cruéis" e "violentos" contra o fogo olímpico."O que temos visto não é protesto, e sim ataques cruéis e violentos contra a chama olímpica, que pertence a todo o mundo. Isto deve ser denunciado por todos os que apoiam a justiça e a igualdade no mundo. Eles feriram os interesses de todas as pessoas."OfensaJiang Yu também se pronunciou a respeito da ofensa que o governo da China sentiu pelos comentários feitos por um âncora da rede de TV americana CNN.No dia 9 de abril, o apresentador do programa The Situation Room, Jack Cafferty, chamou os chineses de "bandidos" e os produtos fabricados na China de "porcaria". No começo da semana, a China exigiu que a CNN se desculpasse.A rede publicou uma nota afirmando não ter a intenção de ofender o povo chinês. Destacou que a opinião era exclusivamnte do apresentador e se referia apenas ao governo da China.Mas as autoridades chinesas não se deram por satisfeitas e rejeitaram o pedido de desculpas da CNN nesta quinta-feira. "A nota da CNN divulgada no dia 15 não foi uma desculpa sincera", disse Jiang. "As palavras de Cafferty são não apenas insultos ao povo chinês, mas uma afronta à consciência dos seres humanos e aos princípios universais. Os chineses não podem ser ofendidos.""Mais uma vez, pedimos firmemente que a CNN tome uma atitude séria nesse episódio e retire imediatamente os comentários maliciosos que fez. A CNN deveria pedir desculpas sinceras a todo o povo da China", exigiu a porta-voz. TochaAs declarações ocorrem no mesmo dia em que a tocha olímpica chega à Índia, país vizinho da China que abriga uma grande população de tibetanos exilados.O esquema de segurança para garantir a chegada da tocha a Nova Déli conta com 15 mil homens. Além de bem protegida, a passagem da chama também será breve. A rota original do desfile pelo centro da cidade era de nove quilômetros, mas foi encurtada para um terço dessa distância.O governo indiano não divulgou um itinerário detalhado da tocha, para evitar que demonstrações fossem ao encontro da chama olímpica.Apenas um grupo de 500 personalidades do país e crianças escolares poderão permanecer nas calçadas durante a passagem do fogo olímpico pela região central da cidade.Cerca de 70 pessoas, entre celebridades e atletas, carregarão a tocha enquanto ela estiver na Índia.ProtestosAinda antes da chegada da tocha à capital indiana, um grupo de manifestantes pró-Tibete organizou uma marcha carregando uma pira alternativa cercada por bandeiras tibetanas. Os ativistas vestiam faixas na cabeça com os dizeres "Tibete livre" e contavam com o apoio de algumas celebridades locais.Há várias semanas, simpatizantes da causa da independência tibetana vêm se reunindo na Praça Jantar Mantar, no centro de Nova Déli, para expressar descontentamento com a liderança da China sobre a região. Anteriormente, nos trechos por onde passou a tocha olímpica atraiu manifestações. Londres, Paris, São Francisco e Buenos Aires foram algumas das cidades que testemunharam distúrbios.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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