Companhia deve rever seu plano de contingência

Demora para o envio de equipamentos e material para tampar poço foi criticada por oceanógrafo que atua no caso

CLARISSA THOMÉ / RIO , O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2011 | 03h02

A Chevron do Brasil admite rever o plano de contingência da empresa depois do acidente no Campo de Frade, na Bacia de Campos, no Rio.

Um dos problemas observados foi a demora para envio de equipamentos e lama pesada usada para interromper o fluxo de óleo que saía do reservatório - o vazamento, iniciado em 7 de novembro, foi identificado dois dias depois, e a lama, injetada somente no dia 13.

A empresa também apresentou pela primeira vez uma estimativa de petróleo que chegou à superfície - 2,4 mil barris ou 381,6 mil litros.

"Temos uma cooperação muito boa com a Petrobrás, que tornou disponível a base de Macaé para que tivéssemos mais agilidade, mas a lama pesada saiu da base no Rio de Janeiro (a cerca de 300 quilômetros do local do acidente)", reconheceu o presidente da Chevron, George Buck, em uma entrevista tensa, em que ameaçou deixar a sala de reuniões por três vezes.

A demora para o fechamento do poço foi criticada pelo oceanógrafo David Zee, perito nomeado pela Polícia Federal para atuar no caso. "Quatro dias é tempo demais. Vazamento de óleo é como incêndio - a primeira hora é fundamental para o combate. Assim que aparecer a mancha, imediatamente tem de ter equipe para instalar a boia e retirar o máximo possível de resíduo", afirmou.

A mancha de óleo foi detectada por um helicóptero da Petrobrás numa terça-feira, dia 8. Na quarta, um robô submarino identificou as fissuras na rocha, por onde o óleo escapava. A Chevron começou a retirada do óleo na sexta-feira, dia 11.

Buck também afirmou que não apareceram fissuras nas análises geológicas feitas antes da exploração do poço. "A gente espera que essa fissura, por ter sido um processo induzido, volte a fechar e não abra mais. Porque não é uma coisa comum no Campo de Frade", afirmou um diretor da empresa, que atuou como intérprete para Buck.

Confrontado pelos repórteres sobre a possibilidade de as fissuras terem sido provocadas pelo vazamento, Buck negou. "O fato é que fizemos pesquisas e não havia fissuras. Qualquer outra análise é especulação", defendeu.

Buck estava tenso. Ele começou a entrevista afirmando que a Chevron assumia toda a responsabilidade pelo acidente. Ele também refutou informações da Secretaria de Estado do Ambiente de que havia jateado areia sobre as manchas.

"Não utilizamos nem areia nem farinha nem um outro produto dispersante. Usamos apenas recolhimento do óleo e dispersão mecânica", afirmou o presidente da Chevron.

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