Complexo do Alemão será reocupado pela PM, diz governador do Rio

Após quatro mortes em cinco dias no Complexo do Alemão - entre elas a do garoto Eduardo de Jesus, de 10 anos, morto com um tiro de fuzil na porta de casa, na última quinta-feira - o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), afirmou neste domingo, 05, que o conjunto de favelas será reocupado pela Polícia Militar. Em nota divulgada pela assessoria de imprensa do governo, Pezão não detalhou prazos para a ocupação, mas disse que ocorrerá sem a presença das Forças Armadas. "Vamos entrar mais fortes, fazer uma reocupação. Segurança continua sendo nossa política mãe", declarou o governador.

LUCIANA NUNES LEAL E ANTONIO PITA, Estadão Conteúdo

05 Abril 2015 | 20h09

A proposta é alocar no conjunto de favelas novos policiais recém concursados. Segundo Pezão, há mais de seis mil policiais aprovados, com contratação prevista para este ano. O governador prevê também a reciclagem dos atuais PMs que já atuam em Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).

"A gente já vem discutindo o fortalecimento de algumas UPPs. O Alemão é uma delas. Vamos fortalecer, colocando mais policiais. Nesses três meses de governo, já formamos mais de 1.100 PMs e vamos intensificar a ocupação no Alemão", afirmou o governador. Segundo ele, já há novos policiais em treinamento.

Pezão voltou a dizer que o Estado "não vai retroceder" no combate à violência "nas áreas mais conflagradas", mas defendeu que a política de segurança seja um "instrumento" para levar às comunidades outros serviços públicos básicos, como abastecimento de água e esgoto.

"A gente tem que se adaptar. É um processo de seis, sete anos, que a gente tem que ir reavaliando, vendo o que deu certo, o que deu errado. A gente sabe que não é só segurança. Estamos fazendo um grande esforço e não vamos retroceder. Pelo contrário, segurança continua sendo o nosso mantra, nossa política mãe".

Família

Na manhã deste domingo, familiares do garoto Eduardo de Jesus embarcaram para o Piauí, onde o corpo será sepultado na cidade de Corrente, a 864 quilômetros de Teresina. A viagem e o traslado do corpo foram pagos pelo governo do Estado. O pai de Eduardo, José Maria Ferreira de Souza, disse que a família voltará ao Rio em dez dias para acompanhar as investigações da polícia.

Os parentes contestam a versão da Coordenadoria das UPPs de que Eduardo foi atingido por uma bala perdida durante confronto entre policiais e criminosos. A mãe do menino, Terezinha Maria de Jesus, diz que o filho foi morto por um policial quando brincava na porta de casa, na localidade de Areal. "Eu não estava no momento, mas minha esposa, sim. Ela reconheceria (o policial). Quero justiça para meu filho", disse José Maria.

O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios (DH). O delegado chefe, Rivaldo Barbosa, se encontrou com familiares de Eduardo no último sábado e prometeu esclarecer o crime. "Não vai ter proteção a ninguém, é preciso definir quem atirou e punir os responsáveis", afirmou Barbosa.

Policiais militares do Batalhão de Choque e da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) que atuavam na comunidade de Areal no momento da morte de Eduardo respondem a Inquérito Policial Militar (IPM). Eles foram afastados do trabalho nas ruas e entregaram as armas para a realização de exame balístico.

Protesto

Também neste domingo um protesto organizado pela ONG Rio de Paz reuniu cerca de 40 pessoas na Praia de Copacabana que lembraram outras 18 crianças vítimas da violência desde 2007. Um caixão branco foi enterrado na areia, junto a uma cruz. "A raiz de tudo é sermos uma sociedade tão desigual", disse Antônio Costa, coordenador da ONG.

Depois da morte de Eduardo, moradores do Alemão fizeram três manifestações contra a violência no complexo de favelas. A manifestação de sexta-feira, 03, teve confronto entre manifestantes e policiais, que usaram bombas de gás e spray de pimenta. Entre quarta-feira, 01, e quinta-feira, 02, quatro pessoas morreram baleadas no Alemão.

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