Copom reforça que Selic ficará estável por um bom tempo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou nesta quinta-feira, por meio de sua ata, que o cenário prospectivo para preços é favorável e reafirma que a inflação tende a se deslocar na direção da trajetória das metas, "ainda que de forma não linear", ao mesmo tempo em que transmitiu a mensagem que os juros permanecerão estáveis por período prolongado.

Reuters

06 Dezembro 2012 | 09h30

"Em resumo, o Copom avalia que o cenário prospectivo para a inflação apresenta sinais favoráveis e reafirma sua visão de que a inflação acumulada em doze meses tende a se deslocar na direção da trajetória de metas, ainda que de forma não linear", trouxe o documento sobre a reunião do comitê da semana passada, quando manteve a Selic na mínima histórica de 7,25 por cento ao ano.

O BC voltou a reiterar que a taxa básica de juros ficará estável por um bom tempo. "...a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta", informou a ata.

O Copom elevou a projeção de inflação para 2012 tanto pelo cenário de referência quanto de mercado, e ambos encontram-se acima do centro da meta, de 4,5 por cento pelo IPCA.

Já para 2013, a autoridade monetária manteve suas estimativas para inflação nos dois cenários, mas também acima do centro da meta. Somente em 2014, o BC estima que a inflação ficará em torno do centro da meta em ambos cenários.

A decisão da semana passada encerrou o ciclo de afrouxamento monetário iniciado em agosto de 2011 e que eliminou 5,25 pontos percentuais da Selic em dez cortes seguidos. O último movimento foi em outubro, quando a Selic foi reduzida em 0,25 ponto, para o atual patamar, em uma decisão dividida entre os membros do Copom.

O objetivo foi estimular a cambaleante economia brasileira, afetada pela crise internacional. O BC ajusta agora o rumo de sua política monetária de olho na inflação que, apesar de recentemente mostrar sinais de arrefecimento, ainda deve ficar bem acima do centro da meta do governo --de 4,5 por cento pelo IPCA-- neste e no próximo ano.

Para boa parte do mercado, a Selic deverá ser mantida no patamar de 7,25 por cento ao ano até o fim de 2013.

Na ata, o Copom diz que a demanda doméstica tende a se apresentar robusta, especialmente o consumo das famílias e avalia ainda que a perspectiva favorável para a atividade doméstica neste e nos próximos semestres deverá ser caracterizada por diferença de crescimento entre os setores.

No aspecto fiscal, o BC considerou que a realização de superávits primários "compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação contribuem para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta".

Para este ano, o BC trabalha com o cumprimento da meta de 139,8 bilhões de reais com ajuste --desconto dos investimentos do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) de até 40,6 bilhões de reais-- e para 2013 com o cumprimento da meta cheia e sem ajuste, de 155,9 bilhões de reais.

(Por Luciana Otoni)

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