Cultura da periferia desfila na Bienal

Pela primeira vez, os alunos dos 48 Centros Educacionais Unificados de São Paulo (CEUs) vão assistir aos desfiles de moda que começaram na segunda-feira (18), no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera. Trata-se de uma parceria entre a organização da São Paulo Fashion Week (SPFW) e a Prefeitura. "O projeto deve se repetir nas outras edições", promete Cesar Callegari, secretário municipal da Educação. "É uma forma de sensibilizar os alunos a se interessarem por novas carreiras."

AE, Agência Estado

19 de março de 2013 | 08h09

Durante esta semana, em todas as unidades será exibido o documentário SPFW 15 anos. Haverá ainda workshops, exposições de fotos e até mesmo desfiles. Conhecido pelos vestidos de festas, Samuel Sirnansck dá palestra, nesta terça-feira, no CEU de Tiquatira, zona leste. Na quinta-feira (21), na unidade do Butantã, será a vez de Ronaldo Fraga mostrar a mesma coleção que exibe na Bienal, nesta terça-feira às 17 horas.

"Estou muito ansioso para ver a reação dos alunos. Acho que é uma experiência de mão dupla", diz Fraga, que fez uma coleção inspirada no futebol de várzea. Antes da apresentação, o estilista vai explicar aos alunos, onde e como nasceu sua coleção. "Minha pesquisa começa quando o futebol deixa de ser um esporte de elite. Uma época em que os negros precisavam passar pó de arroz no rosto para jogar. O esporte é a primeira vitória da mestiçagem nacional."

Passarela

Fraga encarou o desafio de partir de roupas masculinas de futebol para desenvolver peças femininas. "No início os uniformes eram de linho e os distintivos bordados à mão. Depois vieram as listras, mas eram para confundir o adversário", revela.

Soul

Nesta temporada, Alberto Hiar, dono da Cavalera, deixou de lado pela primeira vez o universo do rock, que sempre esteve presente nos seus desfiles. Ontem, o desfile da marca fechou o primeiro dia da semana de moda, fazendo uma homenagem à música negra americana. E, para isso, trouxe ao palco o dançarino Nelson do Triunfo, que mora na Penha, zona leste, onde ensina a garotada a dançar.

"A coleção foi inspirada no funk americano, o soul. Nelson é um ídolo na periferia, apesar de ser anônimo para as pessoas que vão assistir ao desfile", diz Alberto Hiar. Figura inconfundível, com uma cabeleira black indomada, Nelson se apresentou com um time de 40 dançarinos.

O ator e cantor Tony Tornado, que viveu em Nova York, no auge do soul, também participou do show. O cenário do desfile foi baseado no programa da TV americana, Soul Train, que ficou no ar de 1971 a 2006. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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