Dilma reclama de 'apedrejamento moral' de Orlando Silva

A presidente Dilma Rousseff reclamou nesta quinta-feira do "apedrejamento moral" que estaria sofrendo o ministro do Esporte, Orlando Silva, alvo de denúncias de desvio de recursos na pasta, e voltou a pedir a presunção de inocência para acusados de irregularidades.

REUTERS

20 de outubro de 2011 | 16h31

"Eu acho que é importantíssimo que nós, que somos um país democrático, aprendamos que não se faz apedrejamento moral de ninguém", disse a presidente a jornalistas antes de embarcar de Luanda, capital de Angola, para Brasília.

"Eu li, com muita preocupação, as notícias do Brasil. Primeiro, pelo grau de imprecisão nas observações a respeito do governo. O governo não fez, não fará nenhuma avaliação e julgamento precipitado de quem quer que seja", acrescentou a presidente, de acordo com transcrição divulgada pela Presidência da República.

A presidente disse, entretanto, que analisará o caso com "tranquilidade" e que, após isso, tomará "as posições necessárias para preservar não só o governo, mas preservar os interesses do país".

Dilma rejeitou "demonizar" o PCdoB, partido de Silva e que seria beneficiário do esquema, e defendeu a apuração das denúncias.

"O meu governo respeita o Partido Comunista do Brasil, acha que tem quadros absolutamente importantes para o país. Nós não vamos entrar nesse processo, que é um processo absolutamente irracional", disse.

"Nós temos de apurar os fatos, nós temos de investigar e nós, se apurada a culpa das pessoas, puni-las. Agora, isso não significa demonizar quem quer que seja e, muito menos, partidos que lutaram, no Brasil, pela democracia e tem de ser respeitados."

Silva é acusado pelo policial militar João Dias Ferreira de coordenar um esquema de desvio de recursos destinados a convênios com organizações não-governamentais firmados pela pasta no âmbito do programa Segundo Tempo, que visa promover a prática esportivas entre crianças, jovens e adolescentes.

Ferreira, um dos cinco presos no ano passado em operação da polícia de Brasília que investigou recursos do programa, afirma ter provas de suas denúncias, embora ainda não as tenha apresentado.

O ministro nega as acusações e afirma que elas são uma represália à decisão da pasta de romper convênios firmados com entidades dirigidas pelo policial e reivindicar a devolução dos recursos destinados a esses acordos.

No comando da pasta de Esporte, Silva é o principal encarregado no governo dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. A realização desses eventos esportivos no país tem aumentado a cobiça sobre a pasta, como já reconheceu o presidente do PCdoB, Renato Rebelo.

Quatro ministros de Dilma já deixaram seus cargos em meio a denúncias de irregularidades --Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura) e Pedro Novais (Turismo).

(Por Eduardo Simões)

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