Em Ivaiporã, médicos pedem descredenciamento de planos

Após saída oficial, eles realizarão apenas consultas particulares; pacientes terão de pedir reembolso a operadora

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

Os 40 médicos de Ivaiporã, a 380 km de Curitiba, decidiram pedir individualmente o descredenciamento de todos os 20 planos de saúde que operam na cidade.

A saída dos médicos deve ocorrer 60 dias após o pedido oficial. A partir de então, apenas consultas particulares serão realizadas. "É um movimento em cadeia", alertou ontem o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), José Fernando Macedo.

Segundo ele, as operadoras foram beneficiadas nos últimos dez anos com aumentos sucessivos que ultrapassam 100%. Enquanto isso, a tabela de pagamento para os médicos segue, em 90% dos casos, os valores estabelecidos em 1992.

Segundo Macedo, os médicos recebem, em média, R$ 42 por consulta. Mas, descontados impostos e custos, sobram apenas R$ 5,53. Os profissionais pedem que os valores sejam reajustados para, no mínimo, R$ 90.

O representante da AMP em Ivaiporã, Adail Rother Júnior, disse que apenas a Unimed continuará a ser aceita. Mas não descartou que também haja paralisação do atendimento. Por se tratar de cooperativa, a decisão tem de ser tomada em uma assembleia. "Chega de pagar o ônus da socialização da saúde. Não somos os culpados, só queremos uma negociação saudável."

O presidente da AMP também saiu em defesa dos médicos. "As culpadas são as operadoras, que não repõem os valores. A população precisa estar do lado do médico para ter uma medicina de qualidade." Ele afirmou que não faltará atendimento: os pacientes deverão pagar pela consulta e, com o recibo, buscar reembolso com a operadora.

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