ENTREVISTA-Ferrovia na Bahia tem 1o contrato de minério de ferro

A estatal ferroviária Valec e a Bahia Mineração (Bamin) devem assinar em agosto contrato do tipo "take or pay" para que a mineradora possa transportar 20 milhões de toneladas de minério de ferro por ano de sua jazida em Caetité (BA) até Ilhéus, no litoral do Estado.

LEONARDO GOY E PETER MUR, REUTERS

21 Junho 2011 | 18h10

O contrato valerá a partir de 2013, quando deverá estar pronto o trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) ligando os dois municípios baianos.

Segundo o presidente da Valec, José Francisco das Neves, a Bamin pagará 250 milhões de reais por ano para ter o direito de transportar o minério pela ferrovia, que ainda está em obras.

"Ela (Bamin) já está na frente, assinando um contrato futuro conosco", disse Neves à Reuters nesta terça-feira.

A assinatura do contrato com a Bamin deverá ser feita em solenidade com a presença da presidente Dilma Rousseff.

A Bamin é controlada pela mineradora cazaque ENRC, listada em Londres.

Pelo modelo de construção de novas ferrovias implementado pelo governo, a Valec é a responsável pela construção da Fiol --e de outras linhas importantes, como a Norte-Sul-- e, depois, passa a ser a gestora dos trilhos, outorgando a empresas privadas, mediante pagamento, o direito de transportar cargas nas vias.

"A Valec será a gestora. A empresa (que contrata o transporte) cuida do material rodante. Ela compra os equipamentos, como trens e vagões, ou contrata alguém habilitado", disse o superintendente comercial da Valec, Mauro Augusto Ramos.

A ideia do governo é dar a mais de uma empresa o direito de transportar cargas na mesma ferrovia, de modo a estimular a competição e reduzir as tarifas.

Obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Fiol ligará o porto de Ilhéus, na Bahia, à ferrovia Norte-Sul, na altura de Figueirópolis (TO), em um total de cerca de 1,5 mil quilômetros de extensão.

A obra toda deverá custar cerca de 7,5 bilhões de reais.

A primeira fase da obra, entre Ilhéus e Barreiras (BA) --região importante na produção de soja-- deverá estar concluída até o fim do ano que vem, enquanto o trecho de Ilhéus até Caetité (537 quilômetros), que atende à Bamin, deve ficar pronto até o fim do ano que vem.

NORTE-SUL

Neves disse à Reuters que o governo deverá incluir no PAC 2 uma nova extensão da ferrovia Norte-Sul, levando a ferrovia até o porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

Isso deverá acrescentar 1.840 quilômetros à ferrovia, que pelo projeto atual, de 2.255 quilômetros, ligará Açailândia (MA) a Estrela d'Oeste, em São Paulo.

A Valec estuda ainda fazer outra extensão da ferrovia, de Açailândia (MA) ao porto de Belém, com mais 470 quilômetros.

"Todas essas linhas devem estar prontas em seis anos", disse Neves. "Na prática, quando isso acontecer, a Norte-Sul vai ligar as regiões produtoras de grãos e de minérios na região central do país a portos das regiões norte (como Belém e Itaqui) e do Sul e Sudeste.

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