EUA dizem ter salvo 650 mil empregos

Dados do governo, no entanto, são contestados pelos republicanos

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

O governo do presidente Barack Obama estima que o programa de estímulo fiscal de US$ 787 bilhões ajudou a salvar quase 650 mil empregos no país. "Estamos começando a fazer progressos reais no caminho para a recuperação", disse o vice-presidente, Joe Biden.

A tese esquentou o debate com o republicanos. "Pode-se vasculhar todos os livros de economia sem encontrar um conceito chamado empregos salvos", afirmou Allan Meltzer, professor de economia da Carnegie Mellon University, em texto divulgado por deputados republicanos. "Isso não existe por uma boa razão: como alguém sabe que seu emprego foi salvo?" O texto ainda diz que "o governo pode divulgar o número que bem entender que ele não terá nenhum significado".

O dado da criação de empregos, 640.329, representa o gasto com estímulo direto até 30 de setembro em projetos ou atividades como reparos de estradas e educação. Mais de 400 mil desses empregos estão nos setores de educação e construção, segundo a Casa Branca.

O relatório, divulgado ontem pela Junta de Transparência e Prestação de Contas para a Recuperação, dá munição para o argumento da Casa Branca de que o pacote de gastos e cortes de impostos reduziu os efeitos destrutivos da recessão.

Mas, com a taxa de desemprego devendo superar 10%, os republicanos se mostram céticos. "O estímulo de um US$ 1 trilhão não está funcionando e nenhuma estatística falsa pode mudar isso", disse o líder dos republicanos na Câmara, John Boehner (Ohio), em nota.

O novo dado vem de relatórios de diversos governos estaduais e municipais, companhias privadas, grupos comunitários e colégios aos quais foi solicitado no início deste mês que mostrassem como estão usando os recursos do programa de estímulo. A Casa Branca disse que os Estados com as taxas mais altas de desemprego informaram 25% mais empregos criados ou salvos per capita do que o país como um todo.

Conforme determinado pelo Congresso, os relatórios cobrem apenas US$ 160 bilhões dos US$ 339 bilhões em gastos de estímulo realizados até 30 de setembro. Os relatórios não representam os cortes de impostos, pagamentos diretos para indivíduos tais como bolsas de até US$ 25 mil por pessoa, disseram autoridades.

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