Expressionismo 'tropical' de Goeldi ganha exposição em Londres

Galeria exibe 22 xilogravuras que mostram visão diferente do Rio de Janeiro no século 20.

BBC Brasil, BBC

14 de abril de 2011 | 06h06

Uma galeria em Londres inaugura nesta quinta-feira uma exposição dedicada à obra do expoente do expressionismo no Brasil Oswaldo Goeldi (1895-1961).

Com 22 xilogravuras, a exposição, intitulada Oswaldo Goeldi: Cenas Urbanas revela, segundo os organizadores, uma "visão subterrânea das cenas urbanas da cidade do Rio de Janeiro e pessoas anônimas" no século 20.

"Um mundo sombrio, assombrado e inesperado", diz o curador da mostra na Gallery 32, nas dependências da Embaixada Brasileira, Paulo Venâncio Filho, que descreve Goeldi como um "poeta da dor".

O contraste em preto e branco nas xilogravuras e a desolação que esses trabalhos evocam denotam uma imagem singular do Brasil, bem distante da imagem usual de país alegre, colorido e extrovertido.

A exposição - que se segue à criação de um núcleo especial dedicado ao trabalho de Goeldi na 29ª Bienal de São Paulo, em 2010 - celebra o artista no ano em que se completa o 50º aniversário de sua morte.

Brasil - Europa

Nascido no Rio, Goeldi passou a infância em Belém, no Pará, antes de sua família se mudar para a Suíça.

Depois da morte de seu pai, o naturalista suíço Émil Goeldi, em 1917, Oswald se matriculou na Escola de Artes e Ofícios de Genebra, onde estudou por seis meses. Nesta época ele teve contato com o artista plástico Alfred Kubin, ilustrador e expressionista austríaco.

Em 1919 o artista voltou ao Brasil, realizou sua primeira exposição e passou a entrar em contato com figuras proeminentes do Modernismo, como Manuel Bandeira e Di Cavalcanti.

Mais tarde, Goeldi começa a fazer ilustrações para revistas e livros como Canaã, de Graça Aranha, ou O Manque, de Benjamin Costallat. Em 1930 chegou a fazer um álbum com dez gravuras e prefácio de Manuel Bandeira.

Entre outras ilustrações famosas do artista para livros está a que fez para Ressurreição da Casa dos Mortos, e O Idiota, ambos de Dostoiévski e Carlinhos, de Villegas Lopes.

Em 1951, Goeldi participou da 1ª Bienal de São Paulo e ganha o 1º Prêmio da Gravura Nacional.

Durante sua vida, Goeldi fez várias exposições individuais no Brasil e em outros países. Um ano antes de sua morte, o artista ilustrou o livro Mar Morto, de Jorge Amado, e ganhou o primeiro prêmio internacional de gravura da 2ª Bienal Americana do México.

A exposição fica em cartaz até 13 de maio.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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