Família de ex-promotor quer anular condenação

Irmão de Igor Ferreira da Silva disse ter novas provas de inocência

Bruno Paes Manso e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

22 de outubro de 2009 | 00h00

A família do ex-promotor Igor Ferreira da Silva ainda conta com a possibilidade de anular na Justiça o processo que o condenou pelo assassinato da mulher, Patrícia Aggio Longo, ocorrido em junho de 1998. O irmão de Igor, o advogado Eger Ferreira da Silva, disse ontem que pretende que seja reconhecida a "falsidade" de provas apresentadas durante o processo. Afirmou também contar com novas provas em favor do irmão, o que permitiria a revisão. "Ainda não existem instrumentos jurídicos que nos permitam seguir esse caminho. Mas vamos tentar", disse.

O laudo oficial feito pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, que apontou que Igor não era o pai da criança de sete meses que a mulher esperava quando foi assassinada, é uma das provas a serem contestadas. Dois laudos que apontam erros no exame oficial, contratados pela defesa durante a fase do julgamento, estão entre os documentos a serem apresentados pela família.

O Tribunal de Justiça considerou na época o laudo oficial "irrefutável". Para a procuradora de Justiça Valderez Deudsdit Abbud, que cuidou da acusação contra Igor, "a decisão contra ele é definitiva".

TREMEMBÉ

Na manhã de ontem, o ex-promotor recebeu a visita do pai no presídio de Tremembé. Henrique viu o filho na qualidade de advogado criminalista, pois pelos próximos dez dias Igor ficará sem visitas até encerrar o chamado período de inclusão no sistema prisional. Henrique e Igor trataram da estratégia legal que a família deve seguir a partir de agora. Além da revisão criminal, outro procedimento a ser seguido deve ser o pedido para que seja reconhecida a prescrição da pena pelo aborto da criança que sua mulher gestava.

Pelo assassinato de Patrícia, Igor foi condenado a 14 anos. O tribunal fixou a pena do aborto em 2 anos e 4 meses. Ele ainda tem outra condenação, de 4 anos, proferida em 2003, em um processo por porte ilegal de arma. Por ter ficado oito anos foragido, a pena relativa ao aborto prescreveu.

O ex-promotor chegou anteontem ao presídio. Antes do deslocamento, Igor passou mal. Vomitou e pediu seis vezes para ir ao banheiro. Com problemas renais, o ex-promotor se mostrava confuso e não conseguia articular seu pensamento em conversa com os policiais. Dizia acreditar em Deus. Disse que se entregara.

Para se entregar, o ex-promotor contou com a ajuda de um dos irmãos. A decisão de telefonar para a delegada Adanzil Limonta foi tomada na segunda-feira, sem o conhecimento de seu pai. A família não revelou qual dos irmãos participou da operação. "Ele ficou ali perto, viu o Igor se entregar", disse um parente de Igor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.