Fitch rebaixa a Grécia e ações de bancos despencam

Dívida de instituições financeiras do país com o BCE é de 40 milhões

Dow Jones Newswires, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

09 Dezembro 2009 | 00h00

As ações dos bancos gregos despencaram ontem, depois de a agência de classificação de risco de crédito Fitch rebaixar o rating da Grécia. As instituições financeiras do país devem 40 bilhões ao Banco Central Europeu (BCE), que tomaram emprestado para comprar títulos do governo grego.

A Fitch rebaixou o rating de crédito da Grécia de A- para BBB+. A medida atinge os principais bancos: Banco Nacional da Grécia (NBG), Banco Alpha, EFG Eurobank Ergasias (Eurobank) e Piraeus Bank. Ontem as ações desses bancos recuavam entre 6,5% e 11%, bem acima da média dos demais bancos europeus, que caíam cerca de 2,5%. A agência enfatizou os "temores sobre a perspectiva de médio prazo para as finanças públicas, dada a fraca credibilidade das instituições fiscais e o cenário político na Grécia".

As ações dos bancos enfrentaram ainda mais pressão nas últimas semanas, desde que foi divulgado que o Banco \Central da Grécia havia pedido às instituições que reduzissem sua dependência do financiamento barato do BCE. Os bancos evitaram comentar o relatório da Fitch. Um banqueiro grego, que pediu anonimato, diss e que os temores sobre a qualidade dos títulos do governo e o impacto sobre as finanças do banco foram exagerados.

A agência Standard & Poor"s advertiu na segunda-feira sobre os ratings da dívida grega, notando que temores sobre as finanças do governo poderiam levar a rebaixamentos. A S&P coloca o rating da Grécia em A-, afirmando que os planos de consolidação fiscal do país "dificilmente assegurarão uma redução sustentada em déficits fiscais e o peso da dívida pública".

A medida se seguiu à decisão de 29 de outubro da agência Moody"s Investors Service, de colocar os atuais ratings da Grécia, em A1, sob revisão para um possível rebaixamento.

A previsão é que o déficit orçamentário da Grécia alcance 12,7% do PIB neste ano, em comparação com o limite de 3% para os países da zona do euro. Os mercados de dívida vinham monitorando a dívida grega antes dos anúncios da S&P e da Fitch, após a União Europeia e o BCE aumentarem a pressão para que o país reduza sua dívida.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, descreveu na segunda-feira a situação do orçamento grego como muito difícil. Ele disse esperar que o governo dê passos importantes para reduzir o déficit. A pressão sobre a política econômica do governo ocorre no momento em que policiais e manifestantes têm se enfrentado em Atenas, nos últimos dias, durante passeatas para lembrar um adolescente morto há um ano pela polícia.

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