Funcionários mantém diretor de empresa refém na França

Sindicalistas querem impedir planos de farmacêutica de demitir 110 trabalhadores.

Daniela Fernandes, BBC

25 de março de 2009 | 07h09

O diretor de uma empresa farmacêutica na França está sendo mantido como refém desde a tarde de terça-feira pelos trabalhadores da empresa, que protestam contra um plano de demissões.

Durante toda a madrugada, grupos de empregados da empresa 3M se revezaram no escritório do diretor para impedi-lo de deixar o local.

Este é o segundo caso na França de responsáveis de empresas sendo mantidos como reféns pelos trabalhadores neste mês de março.

No dia 13, o presidente da Sony na França e o diretor de recursos humanos da companhia ficaram retidos durante 24 horas na fábrica em Landes, no sudoeste do país, que será fechada neste mês de abril.

Eles foram libertados após aceitarem renegociar o valor das indenizações dos 311 trabalhadores que serão demitidos.

O diretor da 3M que está sendo mantido refém tinha ido à fábrica em Pithiviers, no Vale do Loire, na tarde de terça-feira, para discutir com os trabalhadores o plano que prevê 110 demissões e a transferência de 40 para outra unidade da companhia.

A empresa farmacêutica alega que houve queda na demanda e que a fábrica em Pithiviers, que emprega 235 pessoas, está com excesso de capacidade de produção.

Os trabalhadores, que estão em greve desde o dia 20 de março, querem renegociar os montantes das indenizações e exigem garantias de emprego para os que continuarem na fábrica.

"Estamos decididos a ir até o fim para que nossas reivindicações sejam atendidas", afirma Jean-François Caparros, representante do sindicato Força Operária.

A cada quatro horas, grupos de 20 empregados se revezam na sala do diretor para impedi-lo de deixar o escritório. "Todos estão muito motivados. Essa ação é a nossa única forma de pressão", afirma o sindicalista.

As negociações com a direção, que se estenderam na madrugada, devem ser retomadas nesta manhã.

O diretor da 3M, Luc Rousselet, afirmou não ter ficado surpreso com a operação que o mantém retido na fábrica. "A situação dessas pessoas é mais grave do que a minha. Eu sabia que havia um risco ao vir aqui", disse.

A tensão social é crescente na França em razão dos inúmeros planos de demissões que vem sendo anunciados desde o início do ano.

Nesta terça, cerca de mil trabalhadores da filial francesa do fabricante alemão de pneus Continental protestam na frente do Palácio do Eliseu em Paris, sede da presidência.

A empresa anunciou 1,1 mil demissões em sua fábrica em Clairoix, ao norte da capital. Nesta manhã, 18 ônibus com trabalhadores deixaram a fábrica em direção à capital.

Um conselheiro do presidente francês, Nicolas Sarkozy, se reúne com uma delegação de representantes sindicais da Continental nesta manhã. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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