G20 pede solução à crise da zona do euro em semanas

As principais economias do mundo instigaram a Europa a atuar com firmeza nos próximos oito dias para resolver a crise de dívida soberana na zona do euro, que ameaça a economia global.

REUTERS

15 Outubro 2011 | 14h08

Numa linguagem direta nada usual, os ministros das finanças e bancos centrais do grupo das 20 maiores economias disseram que esperam que um encontro da União Europeia em 23 de outubro "enfrente decisivamente os desafios presentes com um plano abrangente".

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, disse a repórteres que ficou entusiasmado com os últimos movimentos da UE para adotar uma estratégia para atacar a crise que já dura dois anos com os elementos corretos, principalmente um plano de recapitalização dos bancos europeus.

"Eles claramente têm mais trabalho a fazer na estratégia e nos detalhes, mas quando França e Alemanha trabalham juntas e decidem agir, grandes coisas são possíveis", disse.

"Estou encorajado pela velocidade e direção na qual estão se movendo", acrescentou.

A Alemanha e a França se comprometeram a preparar um plano para deter a contaminação da crise, proteger os bancos europeus e a economia mundial.

"Ouvimos nossos colegas da Eurozona sobre as ações nas quais eles estão trabalhando, mas acredito que eles deixarão Paris sem nenhum mal-entendido de que existe uma enorme quantidade de pressão sobre eles para que apresentem uma solução para a crise", disse o ministro de Finanças britânico, George Osborne, aos repórteres.

"(A crise) continua sendo o epicentro dos atuais problemas da economia mundial. E (o encontro) do Conselho Europeu é claramente o momento em que as pessoas estão esperando algo realmente impressionante".

O comunicado final do encontro pediu à zona do euro "para maximizar o impacto do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira)" com o objetivo de enfrentar o contágio (da crise).

Funcionários da UE disseram que a opção mais plausível seria usar os 440 bilhões de euros do fundo de resgate para oferecer um seguro parcial contra perdas aos compradores de bônus dos países com crises de dívida, numa tentativa de estabilizar o mercado.

Os esforços de alguns países para aumentar a munição do Fundo Monetário Internacional (FMI) no combate à crise encontraram resistência dos Estados Unidos e de outras nações na sexta-feira, sepultando esta ideia, por enquanto, e colocando a pressão novamente na Europa.

Os Estados Unidos estão entre os países que querem manter a pressão sobre os europeus para que atuem de forma mais decisiva para acabar com a crise que começou na Grécia, mas desde então se espalhou para a Irlanda e Portugal e já atinge também a Espanha e a Itália.

Enquanto ministros das finanças e presidentes de bancos centrais ser reuniam em Paris, protestos anti-capitalistas se espalhavam pelo globo, expressando sua raiva contra banqueiros e políticos acusados de arruinar economias e condenar milhões de pessoas a passar por dificuldades econômicas por causa da ganância e má administração pública.

BANCOS

O plano franco-alemão, que está sendo preparado para apresentação à cúpula da União Européia, poderá pedir aos bancos expostos à dívida grega que aceitem perdas maiores que os 21 por cento acertados em julho, o que parece insuficiente.

O que ainda precisa ser decidido é se esse compromisso pode ser alcançado com a participação voluntária dos bancos.

"Não vemos que tenha sido criado um caso preemente para reabrir o acordo (de julho). Um acordo é um acordo", disse Charles Dellara, diretor operacional do Insitute of International Finance (IFF), que representa os bancos, ao jornal Financial Times sobre o assunto.

Temores de um calote da dívida na Grécia vem abalando a confiança nos mercado desde julho, com o índice de ações globais caindo 17 por cento desde a última alta em maio de 2011.

As ações reagiram, porém, desde que líderes da França e Alemanha delimitaram o final de outubro como prazo para um plano abrangente para lidar com a crise.

SEM MUDANÇAS NO IUANE

O G20 definiu que as economias mais desenvolvidas irão consolidar o seu déficit fiscal e as ecomonias emergentes, como a China, continuarão o movimento em busca de uma maior flexibilidade na taxa de câmbio e aumento do consumo doméstico.

Por seu lado, Washington e Beijing continuaram a rixa sobre a moeda chinesa.

Geithner disse que a China deveria deixar o iuane se valorizar mais rapidamente para beneficiar o crescimento econômico.

O premiê chinês, Wen Jiabao, porém, refutou a pressão dizendo no sábado que a moeda chinesa vai ficar "basicamente estável" para proteger exportadores.

Fontes do G20 disseram que a China também irá se comprometer a aumentar o consumo doméstico por meio de um plano de cinco anos que envolverá as famílias, empresas e o setor de infraestrutura.

O estabelecimento de metas, como parâmetros de medição dos desequilíbrios globais e formas de controlar os fluxos de capital especulativo, não deve ocorrer antes da reunião da cúpula do G20 marcada para 3 e 4 de novembro, em Cannes.

O presidente francês, Nicholas Sarkozy, disse que quer avanços nesses objetivos para o encontro, quando a França passará o bastão do G20 ao México.

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