Hondurenhos vão às urnas para tentar pôr fim a 5 meses de crise

Zelaystas apostam em abstenção alta; polícia reprime com protesto em San Pedro Sula, deixando 2 feridos

Ruth Costas, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2009 | 00h00

Após cinco meses de impasse, os hondurenhos, ou ao menos uma parcela deles, foram às urnas ontem para eleger um novo presidente, deputados e representantes municipais. A votação ocorreu sem grandes incidentes na maior parte do país, mas, em San Pedro Sula, a polícia dispersou com canhões de água e gás lacrimogêneo um protesto de cerca de mil simpatizantes do presidente deposto, Manuel Zelaya. Duas pessoas ficaram feridas.

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De acordo com as primeiras pesquisas, divulgadas logo após o fechamento das urnas, Porfírio "Pepe" Lobo, candidato do Partido Nacional, venceu a eleição. Segundo a sondagem da rede de TV Televicentro, ele teve 55% dos votos. Elvin Santos, do Partido Liberal, teria ficado bem atrás, com 39%.

No início da madrugada de hoje, o Canal 11 divulgou os primeiros resultados preliminares - ainda não chancelados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo os números, Pepe liderava a disputa com 53%. Santos tinha 37,5%.

A esperança de muitos hondurenhos é que a eleição seja o fim da crise política. Os centros de votação começaram a manhã vazios, mas encheram à tarde. "Esta eleição marca o primeiro passo para um governo de união nacional", prometeu Pepe.

ABSTENÇÃO

Os aliados de Zelaya não votaram, atendendo a um chamado da zelaysta Frente Nacional de Resistência (FNR). O voto não é obrigatório em Honduras e índices de abstenção de 45% são normais - nas eleições de 2005, apenas 55% dos eleitores compareceram.

Desta vez, Zelaya apostava em pelo menos 65% de abstenção. "Se (o índice) for menor, certamente deve ser fraude", disse Rafael Alegria, um dos líderes da FNR. De acordo com a frente, o índice de abstenção ficou entre 65% e 70%.

Para Zelaya, a votação legitima o movimento que o destituiu, no dia 28 de junho. O governo de facto argumenta que ela estava marcada antes dessa data e os candidatos já haviam sido definidos. O mandato do presidente deposto termina no dia 27 de janeiro. Sem a eleição, não haveria quem o substituísse.

Apesar de a votação ter sido uma "festa cívica" para parte da população, havia um clima de intimidação nas ruas do país. No bairro de El Pedregal, na capital Tegucigalpa, policiais fortemente armados paravam ônibus perto dos colégios eleitorais para revistar suspeitos. Segundo a FNR, ao menos 30 membros do movimento foram presos.

RACHA

As urnas fechariam às 18 horas locais (21 horas pelo horário de Brasília), mas o governo decidiu estender em uma hora a votação. O centro de apuração, instalado em um hotel de Tegucigalpa, começaria a receber os primeiros resultados na madrugada de hoje.

Muitos países da região contestaram a legitimidade da votação - entre eles Brasil, Venezuela, Argentina, Uruguai e Paraguai. No entanto, os EUA se mostraram dispostos a aceitar os resultados. A decisão da Casa Branca causou um racha entre os membros da Organização dos Estados Americanos (OEA).

OBSERVADORES

A ONU e a OEA, da qual Honduras foi expulsa no início do impasse político, se negaram a enviar observadores para a eleição. Para compensar, o Tribunal Superior Eleitoral hondurenho convidou políticos, membros de organizações e institutos de pesquisa para acompanhar a votação.

Cerca de 300 aceitaram o convite. O Estado falou com alguns observadores que apoiavam o afastamento de Zelaya abertamente. Outros eram mais moderados. Do Brasil, esteve presente o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que explicou não representar nem o governo nem o Legislativo do País.

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