Acervo/Estadão 
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Ibirapuera: um refúgio verde na cidade de concreto

Criação do parque, considerado o melhor do País, foi alvo de resistências porque região era um imenso lamaçal

O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2014 | 12h53

Morar ao lado de um dos maiores parques da cidade é o sonho de muitos paulistanos. Afinal, quem não gostaria de acordar diariamente ao lado de uma área verde de nada menos que 1,5 milhão de metros quadrados, considerada o melhor parque do Brasil.

Aos finais de semana, o Ibirapuera chega a receber 150 mil pessoas.  No começo dos anos 50, no entanto, a ideia de criar um parque ali causava alvoroço. O projeto era considerado faraônico pelos críticos: aquela área se resumia a um imenso lamaçal, rodeado por capim e eucaliptos, ali plantados para tentar drenar a área pantanosa.

A ideia dos eucaliptos foi do estudioso de biologia Manoel Lopes de Oliveira Filho, o Manequinho Lopes. Apaixonado por botânica, ele expressava sua preocupação com a arborização da cidade em artigos que publicava nas páginas do Estado todas as quartas-feiras. Depois dos eucaliptos, passou a plantar árvores exóticas e, em 1947, fundou o viveiro que leva seu nome e hoje é responsável por produzir as mudas que são plantadas em avenidas, canteiros centrais e parques da cidade.

Vencidas as resistências contrárias ao parque, o arquiteto Oscar Niemeyer tocou as obras em parceria com o paisagista Roberto Burle Marx, inauguradas em 21 de agosto de 1954. A Prefeitura mudou-se para lá de onde só saiu em 1992, quando a então prefeita Luiza Erundina transferiu o gabinete para o Palácio das Indústrias, no centro da cidade.

No final do século 19, predominavam chácaras e pastagens na região e, até as primeiras décadas do século 20, o bairro se assemelhava a uma cidade tranquila de interior. O desenvolvimento, junto com o parque, só chegaria na década de 60 com a construção da avenida Santo Amaro. Hoje, o bairro e seus arredores estão entre as áreas mais cobiçadas pela elite paulistana; seu metro quadrado é o mais caro de toda a cidade.

A região é um bairro turístico. Na entrada do parque, encontramos o monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, inaugurado nas comemorações do IV Centenário da cidade e um dos principais cartões postais paulistanos. Também na região está o mais alto monumento do parque, o Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32, com 72 metros de altura. No Ibirapuera, fica ainda o prédio da Assembleia Legislativa, os Museus de Arte Moderna, do Folclore e da Aeronáutica, o Pavilhão da Bienal e o planetário. Outro museu chegou recentemente à região: o Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, instalado no antigo Detran.

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