Ideli frustra aliados e diz que não atenderá todas as indicações

A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, jogou um balde de água fria nesta terça-feira nos partidos que compõem a coalizão de governo da presidente Dilma Rousseff ao dizer que nem todos os pedidos de nomeações para o segundo escalão serão atendidos.

JEFERSON RIBEIRO, REUTERS

21 Junho 2011 | 18h12

Segundo ela, o governo Dilma é continuidade do governo Lula e, portanto, as nomeações políticas serão frutos de ajustes pontuais e não haverá trocas em volumes significativos.

"Não iremos atender a toda expectativa (dos aliados), os ajustes que serão feitos serão absolutamente necessários e com a concordância da presidenta e dos ministros afeitos (às áreas)", disse em sua primeira entrevista coletiva.

Segundo ela, pedidos dos aliados para nomeações na área econômica, como diretorias de bancos públicos, também terão que receber a aprovação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, assim como os do setor elétrico passam pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Os aliados buscam acomodar suas indicações em dezenas de cargos de segundo escalão e a demora nessas nomeações tem irritado principalmente os dois maiores partidos da coalizão, o PT e o PMDB. Ainda nesta terça, Ideli recebe a cúpula do PMDB no Congresso para tratar entre outros pontos dessa questão.

"Nós esperamos fazer esses ajustes o mais rapidamente possível, porque já estamos na metade (do ano)", disse a ministra, que assumiu o cargo há pouco mais de uma semana.

Ideli também não deu muitas esperanças aos aliados em relação à liberação de emendas parlamentares. Essa é outra reivindicação levada ao seu gabinete na semana passada pelos líderes dos partidos aliados na Câmara.

Segundo o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), há reivindicação para que o governo libere pelo menos 50 por cento das emendas individuais dos deputados até recesso parlamentar, que começa em 15 de julho.

"Estamos num ano difícil, de controle de gastos e do controle da inflação e, portanto, não teremos um ano como aquilo que já aconteceu em anos anteriores, inclusive com um volume maior de empenhos e liberações. Esse vai ser um ano mais contido", disse.

Em fevereiro, o governo anunciou um corte orçamentário de 50 bilhões de reais, sendo que 18 bilhões de reais eram provenientes de emendas parlamentares.

Questionada se seria possível atender o pedido dos deputados, Ideli disse "não tenho uma posição ainda", afirmou.

Essas posições da nova articuladora política do governo podem dificultar as votações de interesse do governo no Congresso e ampliar o clima de insatisfação existente na base aliada e minar os esforços de Dilma para melhorar sua relação com o Congresso.

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