Klever Kolberg faz história e corre pela 1.ª vez com etanol

Em sua 22.ª participação, piloto abre mão da competitividade para divulgar o combustível

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

26 Dezembro 2009 | 00h00

Abrir mão da competitividade é algo difícil para aqueles que estão acostumados a celebrar vitórias. Que o diga o piloto Klever Kolberg. "Mas quero que, num futuro próximo, não lembrem que estive em meu 22º Rali Dacar em 2010. Prefiro que lembrem que foi a primeira vez em que se utilizou um carro com etanol."

Esse é o desafio escolhido pelo piloto gaúcho de 47 anos para o próximo Rali Dacar, que começa no dia 1º, em Buenos Aires: guiar, junto do navegador Giovanni Godói, o primeiro carro movido a biocombustível em 32 anos de prova. Algo que parece simples para quem vive no Brasil e está acostumado com a utilização do álcool. "E talvez esse tenha sido um dos nossos erros: achar que não seria tão difícil assim", admite o piloto.

A principal dificuldade da equipe Valtra Dakar Eco Team é a de abastecimento. Oito mil litros de álcool saíram de Piracicaba, no interior paulista, para Argentina e Chile. Durante o rali, caminhões-tanque farão o mesmo trajeto do piloto, por meio de rodovias, para garantir o combustível.

"Só por causa da logística, custos de importação, uso do caminhão e taxas, tivemos um aumento de 500% no custo do combustível", contabiliza Klever. No geral, o projeto saiu 80% mais caro do que se a equipe utilizasse um carro movido a gasolina ou a diesel.

Um dos muitos preços a pagar pelo pioneirismo, garante Klever, que ainda fazia ajustes da Pajero Mitsubishi, de tecnologia 100% nacional (desde o motor até os pneus) na véspera do Natal. Eram 14h30 do dia 24 e o piloto ainda estava na oficina em que trabalhou incessantemente, junto de sua equipe, nos últimos dois meses. O carro estava pronto. Ou quase.

"Como praticamente não tive tempo de testá-lo, optei por ir dirigindo até Buenos Aires." Ou seja: antes dos 9 mil quilômetros do rali, que será realizado até o dia 17, serão cerca de 2,4 mil quilômetros até a capital do país vizinho. O comboio com dois carros de corrida, dois veículos de apoio e um motorhome deixou São Paulo às 8 horas do dia 25. A expectativa é de que a chegada em Buenos Aires ocorra hoje.

Até concretizar o sonho de usar um carro menos poluente - estima-se em 90% a redução na emissão do dióxido de carbono -, foram pelo menos dois anos. O piloto espera agora que, em mais dois, o combustível já seja usado por metade dos carros em ralis no Brasil.

O QUE ELE DISSE

Klever Kolberg

piloto de rali

"Quero que, num futuro próximo, não lembrem que estive em meu 22.º Rali Dacar em 2010. Prefiro que lembrem que foi a primeira vez em que se utilizou um carro

com etanol"

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