Líderes europeus pedem que Síria pare com violência

Governos europeus pediram na terça-feira que a Síria coloque um fim na violência, depois que o presidente Bashar al-Assad enviou tanques para reprimir uma revolta na cidade de Deraa. Segundo testemunhas, o Exército está atirando a esmo e há corpos nas ruas.

SULEIMAN AL-KHALIDI, REUTERS

26 de abril de 2011 | 17h04

Em Deraa, onde começou a insurreição contra o governo de Assad, os moradores afirmaram que uma brigada do Exército liderada pelo irmão mais novo de Assad, Maher, bloqueou as ruas com tanques e está bombardeando e invadindo residências e cercando pessoas.

As críticas internacionais à repressão de Assad, agora em sua sexta semana, inicialmente eram escassas, mas aumentaram depois da morte de 100 manifestantes na sexta-feira e da decisão de Assad de invadir Deraa, fazendo lembrar a matança promovida pelo pai dele em 1982 em Hama.

"Enviamos uma mensagem forte às autoridades de Damasco para que parem com a repressão violenta aos manifestantes pacíficos", disse o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, numa entrevista coletiva conjunta com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, em Roma.

Mais de 2 mil policiais foram enviados para o subúrbio de Douma, em Damasco, na terça-feira, fazendo bloqueios nas vias e verificando a identidade dos moradores, disse uma testemunha à Reuters.

A testemunha relatou ter visto vários caminhões verde-escuros nas ruas equipados com armas pesadas. Ele disse que homens, que achava ser da polícia secreta, portavam fuzis.

Na cidade costeira de Banias, as forças também partiram para um possível ataque, enquanto os manifestantes cantavam "o povo quer a derrubada do regime", disse um ativista de direitos humanos.

Moradores em Deraa contatados por telefone disseram que nuvens de fumaça negra subiam de todas as partes da cidade e que eram ouvidos os disparos de artilharia pesada e as salvas de Kalashnikov na Cidade Velha.

"Na rua em que estou há cerca de 10 tanques. O objetivo deles é apenas destruir e destruir...Eles estão bombardeando casas e as destruindo", disse Abu Khaldoun.

"As forças de Maher al-Assad se espalharam por todos os lados e, com seus bloqueios, Deraa tornou-se uma grande prisão. Você não pode sair sem colocar em risco sua vida", disse o primo dele, Abu Tamer.

"Eles estão invadindo as casas...Estão cercando dezenas de pessoas e as prendendo...Eles não deixaram uma casa sem entrar", afirmou ele, acrescentando: "Onde quer que você vá há tanques. Já se passaram dois dias e os tiros não pararam."

Os moradores afirmaram que não estava claro quantas pessoas haviam morrido desde que o Exército entrou em Deraa na segunda-feira e que eles não são autorizados a recolher os corpos que permanecem nas ruas.

"Eles não nos permitem reunir ou sair para buscar alimentos ou remédios", disse ele. Os moradores afirmaram que as forças empregaram atiradores de elite na cidade, incluindo nos telhados.

(Reportagem adicional de Khaled Yacoub Oweis, em Amã; de James Mackenzie, em Roma; de Sara Webb, em Amsterdã; e de Sami Aboudi, no Cairo)

Mais conteúdo sobre:
SIRIADERAAEUROPA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.