Mais brasileiras estão satisfeitas com a vida sexual

Pesquisa mostra que 68% das mulheres se dizem 'totalmente satisfeitas'; em 2001, índice era de 61%

Fernanda Bassette, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

As mulheres brasileiras estão mais satisfeitas com sua vida sexual. Elas sentem prazer, têm mais parceiros ao longo da vida e dizem que já foram infiéis. Os dados são de um levantamento feito pela Fundação Perseu Abramo e pelo Sesc com 2.365 mulheres e 1.181 homens em 2010.

Segundo o levantamento, 68% das mulheres afirmaram estar "totalmente satisfeitas" com sua vida sexual - em 2001, elas representavam 61% da amostra. O grau de insatisfação caiu de 35% em 2001 para 28% em 2010.

Entre as entrevistadas, 84% afirmaram "sentir muito prazer" ou "achar o sexo gostoso" - há dez anos esse índice era de 78%. O número de parceiros também aumentou no período. Enquanto em 2001 apenas 8% das mulheres afirmavam terem tido relações com quatro ou cinco homens diferentes, em 2010 esse índice saltou para 12%. E caiu a proporção daquelas que afirmaram terem tido apenas um parceiro na vida: eram 54% em 2001 e 45% em 2010.

Para Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP, a pesquisa mostra a evolução da mulher das últimas décadas. "Houve um amadurecimento da mulher em relação à sua sexualidade. O fato de ela ter múltiplos parceiros demonstra que elas estão iniciando a vida sexual mais cedo e adiando o casamento", afirma.

"A mulher de hoje tem de 10 a 15 anos de vida sexual antes de uma união estável. Por isso ela tem mais parceiros no decorrer da vida. E ela está mais satisfeita, porque com essa experiência ela pode fazer comparações e buscar fazer aquilo que realmente gosta", avalia Carmita.

Imacolada Marino Tozo, psicóloga e terapeuta sexual do Hospital Pérola Byington, diz que a mulher está mais satisfeita porque conhece melhor seu corpo e consegue falar mais sobre o assunto. "A mulher não precisa se casar para iniciar sua vida sexual e é menos reprimida. Mas, para mim, isso não reflete diretamente em termos de resposta sexual. Ainda há uma frustração em relação ao orgasmo."

A pesquisa mostra também que 12% das mulheres afirmam que traíram o parceiro ao menos uma vez na vida. Em 2001, elas eram 7% da amostra.

As principais razões alegadas para a traição foram vingança, para provocar ciúmes ou porque o parceiro tinha amantes.

Segundo Carmita, o porcentual de 12% é pequeno - um estudo realizado pela USP em 2008 constatou que 48% das mulheres com idade média de 25 anos havia traído ao menos uma vez. "Apesar de o número da amostra atual parecer alto, o número de mulheres que traem é bem maior", afirma.

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