Militares golpistas escolhem capitão para presidente da Guiné

Moussa Camara atuava até agora como porta-voz de grupo que tentou tomar o poder após morte de presidente

Efe e Reuters,

24 Dezembro 2008 | 14h23

O capitão Moussa Dadis Camara, que atuava até agora como porta-voz do grupo que protagonizou uma tentativa de golpe na Guiné, foi nomeado chefe do Conselho Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento (CNDD). O órgão é formado por 32 membros, entre os quais figuram 6 civis e 26 militares retirados, incluindo um general e 9 coronéis, além de vários tenentes-coronéis.   Veja também:  Militares prometem eleições em 2 anos em Guiné Primeiro-ministro da Guiné diz que governo não caiu Presidente morre e militares assumem o poder na Guiné Entenda a instabilidade na Guiné   "Nós estamos acompanhando o presidente do CNDD rumo à cidade", disse um dos oficiais à Reuters. Os militares prometeram nesta quarta-feira, 24, convocar em dezembro de 2010 "eleições livres, críveis e transparentes", em comunicado divulgado na rádio nacional.   Segundo as emissoras regionais, os golpistas explicaram, em seu comunicado, que sua única preocupação é a de "salvaguardar a integridade territorial", o que consideram "um ato de civismo que pretende salvar um povo em perigo". Além disso, os membros do Exército que protagonizaram o levante horas depois do falecimento do presidente do país, Lansana Conté, comprometeram-se a respeitar solenemente esta declaração.   As Nações Unidas, a União Européia (UE) e a Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Ecowas, em inglês) já exigiram o respeito e o cumprimento da Constituição da Guiné, enquanto a União Africana (UA) reúne-se nesta quarta com caráter de urgência para avaliar a crítica situação de um dos países mais pobres do mundo.   Segundo a legislação do país, o chefe da Assembléia Nacional deve assumir o cargo do presidente da República de forma interina até a convocação de eleições presidenciais em um prazo de 60 dias, após as quais seria nomeado o novo líder.   O enterro de Conté, que faleceu de morte natural na segunda-feira, acontecerá na próxima sexta-feira na localidade de Lansanya, 100 quilômetros ao norte de Conacri, onde residiu de forma quase permanentemente durante os últimos anos de sua vida, segundo Parentes.   Lansana Conté, de 74 anos e doente de diabetes, morreu após uma longa doença que o tinha levado a suavizar levemente seu estilo de governar, que exerceu de forma autoritária durante 24 anos, apesar da aparente mudança rumo à democracia durante os anos 90 e do liberalismo econômico da última década.   Toque de recolher   Também nesta quarta-feira, os militares afirmaram que planejam realizar eleições presidenciais em até dois anos, após terem dito inicialmente que a votação ocorreria em até dois meses. Também declararam um toque de recolher por todo o país, a partir das 20 horas (hora local), segundo a rádio estatal.   "O Conselho Nacional pela Democracia e Desenvolvimento informa a população que um toque de recolher será imposto por todo o território das 20h às 6h, a partir de hoje, quarta-feira, 24 de dezembro", afirmava o comunicado lido no rádio. 

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