Ministra chama reunião após morte de menino boliviano

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, convocou para esta terça-feira, 2, uma reunião extraordinária para discutir medidas de proteção aos estrangeiros no Brasil. O encontro foi agendado após a morte do garoto Brayan Yanarico Capcha, de 5 anos, imigrante da Bolívia que morava com os pais em São Mateus, na zona leste de São Paulo.

LUCIANO BOTTINI FILHO, Agência Estado

02 de julho de 2013 | 08h13

Brayan foi morto num assalto à casa em que morava com a família e outros bolivianos, na sexta-feira, 28. A mãe dele, a costureira Veronica Capcha Mamani, de 24 anos, disse que o filho pediu aos criminosos para "não morrer". Mas, como ele chorava muito, os ladrões deram um tiro na cabeça do menino. A família estava havia seis meses no Brasil - o casal trabalhava em um ateliê de costura.

Integrantes da Comissão para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) e do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) analisarão medidas para dar mais proteção e garantia de direitos aos estrangeiros. "Não vou mais me perguntar o que move um ato desses, que é a total desvalorização da vida, mas o que podemos fazer para aumentar a segurança e as garantias das pessoas que vêm procurar oportunidades no Brasil", disse Maria do Rosário.

A Conatrae e o CDDPH debaterão, em João Pessoa, o acordo do Mercado Comum do Sul (Mercosul) sobre direito à residência, que fixa uma série de medidas de proteção para os imigrantes legais. "Queremos dar aos estrangeiros que buscam mais oportunidades no Brasil a possibilidade de ir e vir, assim como de uma vida melhor com proteção máxima."

Enterro

Os pais de Brayan desembarcaram nesta segunda-feira na Bolívia, onde enterrarão a criança nesta terça-feira. A cerimônia será no povoado onde moravam, Takamara, a duas horas do centro de La Paz. O Consulado da Bolívia assumiu as despesas do translado, com o apoio de uma companhia aérea.

"Nunca havia visto algo assim. Estou ainda assustado. Brayan pedia para voltar para a Bolívia, estava acostumado mais com a vida lá", disse o pai, Edberto Yanarico Quiuchaca, de 28 anos, antes de embarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele e Veronica dizem que não pretendem mais voltar ao Brasil.

Prisões

A polícia deteve neste domingo, 30, um rapaz de 17 anos suspeito de ter participado do assalto. Um quarto acusado, também adolescente, fugiu. No sábado, 29, a polícia havia anunciado a prisão de Paulo Henrique Martins, de 19 anos, e de Felipe dos Santos Lima, mais conhecido como "Tripa", de 18. Em depoimento, o adolescente detido neste domingo teria dito que Diego Rocha Freitas Campos, de 20 anos, foi o autor do disparo. A polícia ainda não localizou Campos e também procura outro suspeito, Wesley Soares Pedroso, de 19. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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