Morre o historiador Jacob Gorender

Morreu nesta terça-feira, aos 90 anos, um dos maiores historiadores do País, Jacob Gorender. Ele estava internado no Hospital São Camilo e o enterro será realizado no cemitério israelita do Butantã. Autor de clássicos da historiografia brasileira, como "O Escravismo Colonial", de 1978, e "A Burguesia Brasileira", de 1981, Gorender participou de acontecimentos marcantes da história do Brasil.

LIZ BATISTA, Agência Estado

11 Junho 2013 | 18h40

Nascido em 20 de janeiro de 1923, em Salvador, numa família modesta de imigrantes judeus russos, ingressou na faculdade de Direito em 1941. Iniciou ali o contato com a militância do PCB. No ano seguinte, tornou-se membro do partido. Aos 20 anos, alistou-se como voluntário na Força Expedicionária Brasileira (FEB) e partiu para a Europa para combater na Segunda Guerra Mundial. Na volta ao Brasil em 1945, retomou a militância pelo PCB, onde permaneceu até 1968, quando deixou a filiação. Sem nunca abandonar a militância de esquerda, fundou o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR).

Com o recrudescimento do Regime Militar em 1969, o partido ampliou as ações de guerrilha e os membros mergulharam na clandestinidade. Durante seis anos, Gorender viveu em 30 esconderijos diferentes. Em 1970, foi preso pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury e levado ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Lá, foi torturado e levado ao Presídio Tiradentes. Em 1987, Gorender somou o repertório teórico à experiência na militância e na luta armada e lançou "Combate nas Trevas: Esquerda Brasileira: das ilusões Perdidas à Luta Armada".

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