Multidão vai a aeroporto para receber líder tunisiano exilado

Milhares de tunisianos se juntaram neste domingo para receber um líder islamita que retornou do exílio após 22 anos, em um ato que se tornou um poderoso símbolo da mudança que varreu o país neste mês.

LIN NOUEIHED, REUTERS

30 de janeiro de 2011 | 11h09

O xeique Rachid Ghannouchi, chefe do movimento Ennahda, vivia em Londres desde que foi exilado em 1989 pelo presidente Zine al-Abdine Ben Ali, que teve seu governo derrubado em 14 de janeiro por protestos populares.

Os islamitas eram a maior força de oposição na Tunísia quando Ben Ali os perseguiu há duas décadas, mas não tiveram um papel importante na revolta popular. Especialistas dizem que eles podem ressurgir como a força política predominante.

A multidão que foi ao aeroporto de Túnis neste domingo caracterizou a maior demonstração de apoio ao Ennahda nas últimas duas décadas, durante as quais seus apoiadores eram presos por Ben Ali.

"O mundo muçulmano não vai se render," gritava a multidão, formada predominantemente por jovens do sexo masculino. A segurança do aeroporto teve dificuldades em conter o povo, que tomou o estacionamento.

O Ennahda, que liga sua ideologia à do partido da situação na Turquia, o AK, diz que está comprometido com a democracia. Especialistas sobre a política islâmica dizem que suas ideias estão entre as mais moderadas entre todos os grupos islâmicos existentes.

"Não ao extremismo, sim ao islã moderado!" e "Não ao medo do Islã!" eram algumas das frases lidas em faixas carregadas pelos apoiadores de Ghannouchi. Um grupo de mulheres ficou de prontidão para presenteá-lo com flores.

"Não queremos um Estado islâmico, queremos um Estado democrático," afirmou Mohammed Habasi, um partidário do Ennahda. "Sofremos muito com a falta de democracia."

Um grupo de cerca de uma dezena de secularistas expunha a seguinte frase: "Não ao islamismo, não à teocracia, não à Sharia e não à estupidez!."

A Tunísia impôs um regime secular desde quando obteve a independência em relação à França, em 1956. Habib Bourguiba, líder da independência e que foi presidente por muito tempo, considerava o Islã uma ameaça ao Estado. Ben Ali aliviou as restrições aos islamitas quando tomou o poder, em 1987, antes de persegui-los dois anos depois.

Os protestos na Tunísia, que agitaram o mundo árabe e inspiraram os egípcios a tomar as ruas, acalmaram-se nos últimos dias, depois que o anúncio de um novo governo interino retirou do poder a maioria dos remanescentes do regime de Ben Ali.

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