Papa Bento XVI nomeia novo arcebispo de Botucatu-SP

Posse deve ser realizada em janeiro de 2009; d. Maurício será o mais jovem bispo a assumir o arcebispado

José Maria Tomazela, de O Estado de S. Paulo,

19 Novembro 2008 | 15h25

O atual bispo de Assis, d. Maurício Grotto de Camargo, será o novo arcebispo metropolitano de Botucatu, a 238 km de São Paulo, um dos arcebispados mais tradicionais da Igreja Católica no Estado de São Paulo. A nomeação, por ato do papa Bento XVI, foi anunciada nesta quarta-feira, 19, pelo Vaticano e a posse deve ser realizada em janeiro de 2009. D. Maurício substituirá o atual arcebispo, d. Aloysio Leal Penna, de 75 anos, que teve seu pedido de renúncia em razão da idade aceito pelo papa, conforme prevê o direito canônico. Com 51 anos, d. Maurício será o mais jovem bispo a assumir o arcebispado, que acaba de completar 100 anos. Natural de Presidente Prudente, no Pontal do Paranapanema, ele iniciou os estudos no seminário diocesano local. Ordenado padre em 1981, atuou como coordenador pastoral, chanceler da cúria e coordenador paroquial em Presidente Prudente. Vigário em várias paróquias numa região conhecida pelos conflitos fundiários, tornou-se defensor da luta pela reforma agrária e chegou a defender as ocupações de terra.De fevereiro a julho de 2000, exerceu o cargo de subsecretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em Brasília. No mesmo ano, d. Maurício foi nomeado bispo coadjutor de Assis. Em outubro de 2004, passou a ser o bispo titular da diocese. Atualmente, ele é membro da comissão episcopal pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB, responsável pelas Pastorais da Mobilidade Humana.     Discurso   O papa Bento XVI falou nesta quarta-feira, 19, da "Doutrina da Justificação", um dos temas mais controvertidos da reforma protestante, e disse que Martinho Lutero não se equivocava quando dizia que "só a fé nos salva", mas matizou que sempre que essa fé "não se oponha à caridade e ao amor".   Dinate de cerca de 20.000 pessoas que assistiram na Praça de São Pedro à audiência pública, o papa disse que é através da catequese que o ser humano se transforma em justo aos olhos de Deus, tema central nas cartas de São Paulo e um dos assuntos que durante mais de quatro séculos separaram luteranos e católicos.   O sumo pontífice ressaltou que o Apóstolo - cujos escritos inspiraram profundamente Lutero - afirmava em suas cartas aos cristãos de Roma que "o homem é justificado pela fé com independência das obras da lei".   "Lutero traduziu justificados só pela fé", disse o papa, acrescentando que "a expressão 'sola fide' (só a fé) de Lutero é verdadeira se não se opor à caridade, ao amor".   Ser justo, assegurou o papa, significa "simplesmente estar com Cristo, por isso que os outros preceitos já não são necessários".   Bento XVI acrescentou que a fé é "olhar para Cristo, confiar-se a Cristo" e que a justiça se decide na caridade.   Terminada a audiência, o papa disse em espanhol aos fiéis presentes da Espanha e da América Latina que a justificativa em Cristo "é uma ação gratuita de Deus, sem merecimento humano".   A "Doutrina da Justificação" é a explicação teológica das relações entre a graça de Deus que chega ao homem pelo batismo, e como o homem com essa graça passa de pecador a justo.   Tanto católicos como protestantes aceitam que a salvação é uma iniciativa gratuita de Deus.   Mas enquanto para os católicos o homem pode cooperar para esta graça, para os protestantes só esta ao homem uma atitude passiva.   Os católicos dizem que graças aos méritos da paixão de Cristo e por meio do batismo o pecado original é totalmente apagado, e a concupiscência é uma tendência ao pecado, mas não um pecado. No entanto, para os protestantes a concupiscência é um autêntico pecado.   (Com Efe)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.