Passeata contra demissões reúne milhares de metalúrgicos no ABC

Uma manifestação realizada nesta terça-feira reuniu cerca de 15 mil trabalhadores do ABC paulista em protesto contra demissões e propostas de redução de jornada e de salário decorrentes da crise econômica mundial, segundo informou a CUT. A passeata, realizada na avenida 31 de março em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, se seguiu a assembléias na porta das fábricas de veículos Ford, Mercedes-Benz, Scania e Volkswagen, além de indústrias de autopeças. A mobilização teve início às 6h e durou até 10h. "A única maneira de atravessarmos este momento difícil é lutar pela garantia de empregos e salários. Por isso é preciso tomar as ruas, literalmente, como estamos fazendo agora", disse Artur Henrique da Silva, presidente da Central Única dos Trabalhadores, durante o ato. Anunciando novas mobilizações, ele argumentou que nos últimos anos a indústria automobilística trabalhou a todo vapor e bateu recordes de produção e que, assim, teria condição de absorver a retração atual nas vendas. A passeata acontece um dia após a reunião de centrais sindicais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, quando foram debatidas saídas para manter o consumo --como corte nos juros e redução no spread bancário--, mas nenhuma medida foi anunciada. Também na segunda-feira o governo divulgou que foram fechados mais de 650 mil postos de trabalho com carteira assinada em dezembro, número bem superior aos 300 mil tradicionalmente perdidos no mês. O sinal de alerta veio da General Motors, que cortou 744 funcionários temporários no dia 12. Neste cenário, a Força Sindical iniciou negociações com a Federação das Indútrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que preveem corte de jornada e de salários sem garantia de emprego. Por pressão de outras centrais, a Força suspendeu as conversas. Contrária às propostas, a CUT não participa das reuniões. Na quarta-feira, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, leva ao presidente Lula em Brasília uma proposta para os trabalhadores do setor com a fixação de metas de produção e de emprego, precedidas de debates setoriais entres trabalhadores, empresários e governos. O prefeito de São Bernando do Campo, Luiz Marinho (PT), ex-presidente da CUT, não compareceu à manifestação. A presença chegou a ser anunciada por sindicalistas, mas, segundo sua assessoria, ele cumpriu atividade na prefeitura. (Reportagem de Carmen Munari)

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