Presidente palestino pede criação de governo de unidade

O presidente Mahmoud Abbas exortou nesta segunda-feira as facções palestinas a formarem um governo de união que abra caminho para eleições, depois de a ofensiva israelense na Faixa de Gaza ter matado 1.300 pessoas e dividido o mundo árabe. "O que é necessário... seria um governo de unidade nacional que empreendesse a suspensão do bloqueio (à Faixa de Gaza), a abertura das travessias, a reconstrução e a realização de eleições simultâneas presidenciais e legislativas", disse Abbas, pedindo o início imediato das conversações de reconciliação no Egito. O grupo islâmico palestino Hamas, que venceu as eleições de 2006, arrancou o controle da Faixa de Gaza da facção Fatah, de Abbas, em 2007. Abbas, que ainda controla a Cisjordânia, tem o apoio do Ocidente mas é visto como fraco por líderes de alguns Estados árabes, como a Síria. As divisões palestinas têm se refletido em divisões árabes mais amplas que ganharam destaque durante a ofensiva israelense de três semanas contra o Hamas na Faixa de Gaza. Grupos de líderes árabes realizaram três reuniões nos últimos cinco dias, ressaltando a divisão entre Egito, Arábia Saudita e seus aliados, por um lado, e, por outro, Síria, Catar e seus aliados. A divisão entre os árabes dominou a abertura de uma cúpula árabe no Kuweit na segunda-feira. A Síria, principal fonte de apoio ao Hamas, exortou a cúpula a declarar Israel "uma entidade terrorista" devido à ofensiva em Gaza, exortando Israel a abrir os pontos de travessia da fronteira e pôr fim ao bloqueio do encrave. "Devemos demonstrar nosso apoio claro à resistência palestina", disse o presidente Bashal al Assad. "Sugiro que esta cúpula denomine oficialmente a entidade sionista de entidade terrorista." Num sinal claro da largura da divisão, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, disse que o Hamas provocou o ataque israelense ao recusar-se a estender a trégua e que o grupo deve carregar a responsabilidade por isso. Ele acusou algumas partes de explorar a crise em Gaza para dividir o mundo árabe em dois campos, um moderado e outro mais linha dura. "As relações árabe-árabes não estão em seu melhor estado", disse Mubarak. O Egito, único Estado árabe a fazer fronteira com a Faixa de Gaza, negociou com o Hamas e Israel, ambos os quais anunciaram cessar-fogos no fim de semana. Mas Cairo vem sendo criticado no mundo árabe por cooperar com o bloqueio israelense de Gaza nos últimos meses e não abrir sua fronteira plenamente durante a ofensiva israelense.

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