Protesto perto do prédio de Cabral termina em confronto

Seis manifestantes foram presos e quatro policiais militares ficaram feridos durante confronto no fim da noite de quinta-feira, 4, na rua Aristides Espíndola, onde fica o prédio habitado pelo governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) no Leblon. Cerca de 400 manifestantes estavam no local, segundo a Polícia Militar (PM), quando o tumulto começou.

SERGIO TORRES, HELOÍSA ARUTH STURM E LUCIANA NUNES LEAL, Agência Estado

05 de julho de 2013 | 09h06

Bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral foram atiradas por policiais na avenida Delfim Moreira, na praia do Leblon, endereço de alguns dos mais caros imóveis cariocas. Manifestantes apedrejaram as tropas e os edifícios de luxo da orla.

Com o estouro dos explosivos, os manifestantes dispersaram-se. Muito deles correram para a areia em direção à praia de Ipanema. Foram perseguidos pelos integrantes das tropas do Batalhão de Choque. Segundo lideranças dos protestos, as pessoas foram agredidas e humilhadas, pois teriam sido obrigadas a permanecer deitadas de bruços, com os rostos enterrados na areia.

A manifestação, batizada de "Ocupa Cabral", começou a partir das 18h. Além de exigir melhorias nas áreas de saúde, educação e segurança pública, transparências nos negócios públicos e o fim da violência policial, os manifestantes reclamavam de dois procedimentos do governador em relação ao movimento.

A primeira queixa era a de que Cabral forjou uma reunião no Palácio Guanabara (sede do governo) com líderes do movimento. Os cinco convidados, segundo os líderes do protesto, eram pessoas sem representatividade, que teriam sido infiltradas no movimento pelo governo estadual. Duas delas estiveram no protesto de ontem e foram expulsas após serem ofendidas e ameaçadas de agressão.

A segunda queixa tratava da expulsão, durante a madrugada de terça-feira passada, de 15 manifestantes que, havia 11 dias, acampavam na esquina do edifício do governador.

Após o confronto, a PM informou que quatro policiais foram atingidos por pedregulhos e tiveram que ser hospitalizados. Os seis manifestantes presos, acusados de agredir os PMs, acabaram liberados durante a madrugada. Um deles foi flagrado com maconha, segundo a polícia.

Mais cedo, uma equipe da TV Record foi encurralada por manifestantes mais exaltados, que foram agressivos com a repórter. Os jornalistas tiveram de deixar o local, com a ajuda de outros participantes do protesto, que fizeram um cordão de isolamento.

O protesto foi organizado pela internet por um grupo que se intitula Anonymus Rio. Os ativistas previam reunir 10 mil pessoas, e na internet 9 mil confirmaram presença.

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